11 de julho de 2026
Política

Educação "puxa" retorno de greve; cerca 300 estão parados, segundo Sinserm

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis

Funcionários municipais fizeram passeata ontem de manhã saindo do sindicato, no Centro

O primeiro dia de retorno da greve dos servidores municipais teve forte adesão em uma pasta: a Secretaria de Educação. Nos demais setores da prefeitura, poucos funcionários aderiram ao movimento, que estava suspenso desde o fim de março – na ocasião a paralisação durou cerca de uma semana – e foi retomado nessa terça-feira (19), após deliberação em assembleia na última quinta-feira, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm).


Até o início da noite dessa terça, o Sinserm ainda contabilizava a quantidade de servidores parados, mas a entidade estimava em cerca de 300 pessoas. O número oficial, computado pela prefeitura, era de 324 servidores em greve. Houve ainda mais duas adesões no Departamento de Água e Esgoto (DAE), enquanto na Emdurb ninguém parou. Somadas a administração direta (prefeitura) e indireta (DAE, Emdurb e setor administrativo da Funprev), são aproximadamente 8 mil servidores. Com os inativos, a conta sobe para mais de 10.500 pessoas.


Do total contabilizado na administração direta, 88% eram da Educação, ou seja, 286 servidores. Foram 184 funcionários da pasta parados pela manhã e mais 102 no período da tarde (segundo a prefeitura, trata-se de servidores diferentes). Na Secretaria de Obras, 25 pessoas aderiram, enquanto na Saúde eram 11 servidores em greve até o começo da noite. Sebes e Semma contabilizaram uma pessoa em greve em cada. Nas demais pastas, o município não registrou paralisações.


Fechadas


A mobilização na Educação provocou a paralisação total de atividades em duas escolas, segundo a própria pasta: a Emef Cônego Aníbal Difrância, no Parque São Geraldo, e a Emef Thereza Tarzia, no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000). Nas demais unidades, tanto de ensino fundamental como de educação infantil (Emeis e Emeiis), houve adesões, mas sem encerrar todas as atividades.


A secretária municipal de Educação, Vera Casério, aponta que é difícil prever o dia de hoje e, por isso, os pais devem consultar diretamente a unidade onde seu filho está matriculado. “Somando educação infantil, fundamental, especial e de jovens e adultos, são quase cem unidades. Então não dá para a gente ter um controle direto na Secretaria. A orientação é que os pais entrem em contato direto com a escola, pessoalmente ou por telefone, para saber como estão as atividades”, reitera.


“No primeiro dia foram duas Emefs sem aula, mas nas demais escolas do fundamental e na educação infantil não teve mais nenhuma que parou totalmente”, lembra Vera. Na Saúde e Obras, nenhum setor ficou totalmente paralisado. No DAE, a autarquia informou que também não teve atividades afetadas.


Sem aumento


Ao final do dia, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) reiterou ao Jornal da Cidade que não poderá conceder mais nenhum tipo de aumento agora.


“Financeiramente, estamos no limite, inclusive muito próximos do limite prudencial para gasto com pessoal, que é de 51,3%. Ou seja, não dá para propor aumento. Mas estamos elaborando uma proposta que deve ser apresentada amanhã (hoje) ou quinta-feira ao Sinserm, no sentido de valorizar os servidores”, afirma.


“Respeito a greve, entendo que é válida a luta dos nossos servidores, mas agora realmente não é possível conceder mais nada no plano financeiro, de forma imediata”, pontua. Rodrigo se reuniu no final da tarde com os secretários Marcos Garcia (Finanças), Célio Bucceroni (Administração) e Vera Casério (Educação), e o chefe de Gabinete, Arnaldo Ribeiro, para formatar proposta que será encaminhada ao Sinserm, porém sem reajuste, mas sim com possibilidade de valorização da carreira dos servidores, adiantou o prefeito.


Em março, a greve havia sido suspensa. Na época, a prefeitura concedeu abono de R$ 55,00 não incorporável a todos os servidores, e R$ 30,00 de abono não incorporável para aqueles que recebem até R$ 2.300,00. O vale-compra subiu de R$ 285,00 para R$ 310,00.


Como o vale-compra foi suspenso aos servidores inativos em março, por determinação do Tribunal de Justiça (TJ), atendendo a Adin impetrada pelo município para cumprir exigência do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a prefeitura transformou o vale-refeição em abono pecuniário (em dinheiro) a ser pago a todos os servidores ativos e inativos na faixa salarial de até R$ 2.300,00.


Funcionários com carga horário de 12 horas por 36, que recebiam o vale-refeição, e estão acima deste valor, acabaram ficando de fora, mas na semana passada o prefeito Rodrigo Agostinho confirmou que estes profissionais voltarão a receber o abono, totalizando mais de 570 pessoas. Na Educação, os professores até março não recebiam este valor, mas parte passou a ter os R$ 300,00 de abono por estar na faixa salarial contemplada, o que motivou os demais, que ganham acima de R$ 2.300,00, a aderir de forma mais contundente à greve.


Movimento

Servidores em

greve por setor

(terça-feira)

Administração direta

Educação - 286

Obras - 25

Saúde - 11

Sebes - 1

Semma - 1

Total - 324

Administração indireta

DAE - 2

Total em greve - 326

As ações da greve tiveram início logo pela manhã, com concentração em frente ao Sinserm e caminhada até o Palácio das Cerejeiras. À tarde, uma carreata partiu do Sindicato em direção ao Higienópolis, passando pelas avenidas Duque de Caxias e Cruzeiro do Sul, chegando até o Jardim Redentor. O ponto final foi na Usina de Asfalto, da Secretaria de Obras, no Distrito Industrial I.


Nesta quarta-feira (20), nova concentração está agendada para às 7h, no Sinserm. “Fizemos esta mobilização no primeiro dia, com os servidores nas escolas, unidades de Saúde, da Obras. A expectativa é que o movimento se fortaleça amanhã (hoje), com a adesão de mais servidores”, citou Moisés Cristo, diretor do Sinserm.

Emdurb


Ao contrário da paralisação em março, em que houve adesão maciça da Emdurb, principalmente do setor de coleta de lixo, desta vez a empresa municipal não registrou nenhum funcionário em greve. O acordo firmado pela Emdurb com o Sinserm na época incorporou o abono de R$ 50,00 e concedeu reajuste de 1% já incidindo sobre este abono. Um outro abono de R$ 35,00 também foi concedido, e extinguiu-se a cobrança do marmitex aos servidores que tinham aderido até 1º de março.


O vale-compra seguiu o reajuste da prefeitura, subindo para R$ 310,00, e houve ainda o compromisso de seguir alguma eventual proposta da prefeitura que fosse melhor do que a firmada até então com a Emdurb.