11 de julho de 2026
Polícia

Bandido fingia ser comprador de motos para furtar veículos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Na foto delegado Eduardo Herrera. Como garantia para test-drive, o acusado deixava chaves de imóveis vazios, relata Herrera

A Polícia Civil prendeu um homem de 37 anos que enganava proprietários de motocicletas em Bauru para furtar os veículos. João Fernando de Oliveira confessou que, apenas em 2015, fez quatro vítimas, mas a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) acredita que, a partir de sua prisão, outras pessoas lesadas por ele possam ser identificadas.


Conhecido como “Brinquinho” e “Burguês”, Oliveira encontrava suas vítimas por meio de anúncios, onde motos estavam sendo oferecidas para venda, a valores que variavam de R$ 5 mil a R$ 13 mil. “Depois de marcar encontro com o proprietário, ele dizia que queria dar uma volta para testar a moto ou levá-la para avaliação de um mecânico de confiança. E, então, desaparecia”, revela o delegado Eduardo Herrera, responsável pelas investigações.


Oliveira agia sozinho e vinha sendo monitorado há algumas semanas pela DIG. Na tarde de segunda-feira (18), ele foi preso em flagrante na alameda Cônego Aníbal Difrância, no Parque Vista Alegre, ao tentar aplicar o mesmo golpe no dono de uma motocicleta Honda XRE 300, ano 2012, que estava sendo comercializada a R$ 10,5 mil.

Polícia Civil/Divulgação

‘Golpista da moto’ é preso - João Oliveira fugia com veículos das vítimas após deixar chave de imóveis como garantia

“As outras quatro vítimas já o reconheceram como o autor dos crimes. Duas perderam as motos em janeiro e outras duas, em maio. O destino eram desmanches ilegais. Como os veículos tiveram os chassis ‘picados’ e as peças foram vendidas para vários receptadores de cidades da região, foi impossível recuperá-los”, comenta o delegado.


Para ganhar a confiança dos donos das motos, Oliveira estava sempre bem vestido e costumava apresentar um crachá, em que se identificava como vidraceiro, com nome, RG e número de telefone ilegítimos. Também marcava os encontros em frente a algum imóvel, geralmente residências que estavam vazias, disponíveis para locação.


“Ele pegava a chave na imobiliária, mas dizia para a vítima que era onde morava. Ou então se hospedava por poucas horas em uma pensão, também para dizer que o local era a casa dele. Às vezes, até deixava a chave com a pessoa. Era uma forma de dar alguma segurança para que ela o deixasse sair sozinho com a moto”, detalha Herrera.


Flagrante


Na segunda (18), Oliveira tentou marcar o encontro com a futura vítima em uma residência para alugar localizada no Jardim Araruna. Mas o proprietário da moto preferiu um estabelecimento de um conhecido, no Parque Vista Alegre, para onde o golpista foi de mototáxi.


“Quando ele estava prestes a sair com a moto, efetuamos a prisão em flagrante”, completa o delegado. Morador de Bauru, Oliveira era foragido do sistema prisional desde novembro do ano passado.


Segundo Herrera, ele cumpria pena por furto, estelionato e roubo em Piracicaba, para onde deverá ser transferido em breve. Provisoriamente, o criminoso permanecerá no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.


Ainda de acordo com o delegado, preliminarmente, não há nenhum outro registro semelhante a estes neste ano, em Bauru. Mas, a partir da divulgação do caso, a expectativa é de que novas vítimas possam ser identificadas. “São pessoas que podem ter efetivamente perdido motos ou até mesmo terem sido abordadas por ele e que só escaparam por não o terem deixado conduzir os veículos”, completa.

Pistas do desaparecido?


Além de responder pelo crime de tentativa de furto e furto qualificado, Oliveira também foi autuado por extorsão. Segundo o delegado Eduardo Herrera, em um dos furtos registrados em maio, João Fernando de Oliveira teria exigido da vítima em R$ 2,5 mil para devolver a moto.


“Ele fez contato telefônico e pediu o dinheiro. A vítima já tinha procurado polícia e tentou marcar o encontro, mas ele acabou não aparecendo”, revela.


Investigações também apontaram que o criminoso entrou em contato com a família de Eduardo Alves de Oliveira, 30 anos, desaparecido desde o dia 7 de abril, quando saiu de casa em seu Gol branco, dizendo que iria até Arealva. O golpista teria enviado mensagem por celular, pedindo R$ 12 mil para fornecer informações sobre o paradeiro do bauruense desaparecido. “Ele disse que conhecia o Eduardo e sabia onde ele estava, mas, na realidade, não há qualquer indício de que tenha qualquer envolvimento com o sumiço da vítima”, comenta o delegado Eduardo Herrera.


De acordo com ele, o criminoso teria marcado encontro com familiares da vítima para o recebimento do dinheiro, mas desistiu da ação ao saber que a polícia também iria até o local.