Com déficit de famílias acolhedoras, Bauru tem cada vez mais dificuldades em dar uma condição mais digna, que inclusive é exigida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aos recém-nascidos e crianças abandonadas ou vítimas de maus-tratos. Isso porque o número de famílias acolhedoras - que são aquelas que se cadastram para oferecer carinho e ajuda temporária à criança para minimizar os efeitos do trauma – é insuficiente na cidade hoje.
Das 30 vagas oferecidas pelo serviço, que possui demanda diária do Conselho Tutelar, apenas 16 famílias estão cadastradas (veja no quadro abaixo os requisitos para se cadastrar).
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“Os abrigos estão cada vez mais cheios. E algumas crianças estão sem o acolhimento que necessitam nos primeiros meses de vida, que deve se resumir em um cuidado exclusivo e permanente”, avalia Flávia Carrijo de Aguiar, psicóloga do Serviço de Acolhimento familiar da Ação Comunitária São Francisco de Assis (Acop), entidade conveniada com a Prefeitura Municipal de Bauru e que executa o serviço de acolhimento de crianças sob o monitoramento da administração pública e da Promotoria da Infância e Juventude.
Abaixo
A Acop, que iniciou seus trabalhos junto ao município no início deste ano, possui hoje apenas quatro famílias cadastradas, mas tem vagas para 15. E o quadro é ainda pior do que se imagina. “Nem os 15 supririam a demanda. O ideal é que nós tivéssemos ao menos 20 famílias acolhedoras em nosso cadastro”, alerta Flávia.
Além da Acop, outra entidade realiza o serviço em Bauru desde 2011: a Fundação Toledo (Fundato), que, mesmo com mais tempo de atuação, também está com o número de cadastros abaixo da demanda.
“Temos 12 cadastrados, mas vagas para 15. Temos hoje 13 crianças acolhidas e receberemos mais duas”, pontua Damares de Oliveira, assistente social da Fundato. “Temos famílias que estão conosco há quatro anos e, em todo esse tempo, elas têm prestado auxílio ininterrupto, por conta da falta de gente para revezar. E isso significa quatro anos de noites muitas vezes mal dormidas e de idas ao pediatra”, ilustra Damares sobre o problema causado pelo baixo número de famílias voluntárias cadastradas.
Acolhimento
Em janeiro deste ano, o JC já alertava para o número reduzido de famílias acolhedoras no município. Em 2010, após reforma no ECA, o promotor da Infância e Juventude de Bauru Lucas Pimentel começou a cobrar do poder público a inclusão de crianças ou adolescentes em programas de acolhimento familiar em detrimento do acolhimento institucional, até que a transição para a família original ou adotiva fosse efetivada.
Fato que fez com que o município engrossasse de R$ 500 mil para R$ 1 milhão o orçamento anual destinado para a rede de acolhimento, que passou a contar também com a Acop, além da Fundato.
No entanto, agora é a dificuldade em angariar famílias que queiram prestar este auxílio que tem feito a legislação não ser seguida “ao pé da letra”.
Apesar de grande parte das crianças destinadas ao acolhimento serem recém-nascidas, o serviço se estende a adolescentes até os 18 anos incompletos.
Serviço
Pretendentes ao acolhimento devem efetuar cadastro em uma das duas entidades atuantes no município. A Acop fica na rua Martin Afonso 11-85, Vila Souto, e funciona de segunda à sexta, das 8h às 17h. O telefone é (14) 3243-2640. A Fundato fica na rua Azarias Leita, 13-16, na Vila Mesquita. O telefone de lá é (14) 3879-3650.