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Quioshi Goto |
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Ato em frente ao Palácio das Cerejeiras colocou fim à paralisação, logo após reunião do Sinserm |
A greve dos servidores municipais de Bauru terminou quatro dias após ser retomada – o movimento começou em março, quando foi suspenso. A decisão foi tomada no fim da tarde dessa sexta-feira (22), quando o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) recebeu os dirigentes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), no Palácio das Cerejeiras, e acatou a proposta formalizada pela categoria pela manhã. Os secretários Marcos Garcia (Finanças) e Célio Bucceroni (Administração) participaram do encontro.
Como o prefeito já havia afirmado várias vezes que não poderia dar reajuste de 7,2%, repondo a inflação, os servidores entregaram nessa sexta a proposta na qual pediam para que os R$ 30,00 de abono para quem ganha até R$ 2.300,00, acertado em março, fosse estendido também a quem está acima desta faixa salarial. Como todos já haviam recebido R$ 55,00 de abono, o aumento linear de R$ 85,00 passaria a ser estendido a todos os servidores municipais, ativos e inativos, da administração direta e indireta.
Outro pedido era que estes R$ 85,00 também fossem incorporados ao salário. Após a reunião no auditório do Gabinete, o prefeito Rodrigo Agostinho concordou com as propostas do Sinserm, com a condição que o pagamento das licenças-prêmio a partir de agosto fossem adiadas por dois meses – até julho o pagamento será normal – para haver fôlego financeiro. Os dirigentes do sindicato levaram a resposta positiva do chefe do Executivo aos servidores, que aguardavam em frente ao Palácio das Cerejeiras, e houve a aprovação da contraproposta e o consequente encerramento da greve, com a retomada a partir de hoje das atividades suspensas – segunda-feira no caso de escolas e unidades básicas de saúde.
Positivo
O Sinserm avaliou de maneira positiva o movimento. “Claro que todos gostariam de um reajuste pelo menos da inflação, o que não foi possível a todos. Para quem ganha menos, os R$ 85,00 de aumento acabaram contemplando o índice, e o mais importante agora é que todos vão receber este mesmo valor e como parte do salário, ou seja, isso incide sobre biênios, na progressão da carreira”, destaca Sônia Carvalho, diretora do Sinserm.
Além da incorporação do abono de R$ 85,00 a todos os servidores, ficaram mantidas as propostas anteriores: reajuste do vale-compra (a todos os ativos) para R$ 310,00, concessão de abono em dinheiro de R$ 300,00 a todos os servidores que recebem até R$ 2.300,00 (sejam ativos ou inativos), em substituição ao vale-refeição, e a extensão deste abono aos servidores que trabalham em jornada de 12 por 36 horas, mesmo que estejam acima deste teto salarial.
Houve ainda a manutenção das propostas a toda a categoria, como diminuição de 10 para 7 anos o período de incorporação salarial, a progressão dos planos de carreira de 30 para 35 anos.
Para a Educação, que foi o setor que mais aderiu à greve nesta semana (cerca de 88% do total de grevistas), mantiveram-se as propostas da prefeitura: criação de quadro de professores temporários por tempo determinado, redução da Atividade de Trabalho Pedagógico (ATP) Individual e Coletiva nas unidades escolares (reduzindo o tempo de permanência de 1.016 professores nas escolas nestas atividades extraclasse, sem prejuízo aos salários), prorrogação do início da ATP obrigatório para janeiro de 2018, alteração no PCCS e modificação da lei de acesso do professor adjunto para especialista.
Contas
Rodrigo comemora o fim da greve. “Houve bom senso por parte do sindicato. A primeira proposta (reposição da inflação, mais 10% de aumento) era inviável, hoje a proposta do Sinserm estava dentro daquilo que poderíamos oferecer. Ainda assim exigirá um esforço financeiro grande da prefeitura, tanto que houve um acordo para que o pagamento das licenças-prêmio a partir de agosto sejam adiadas em dois meses, para permitir um fôlego financeiro”, destaca o chefe do Executivo. “No geral, foi positivo. Conseguimos dar um aumento, mesmo com a condição adversa do País, e dentro da realidade que podemos pagar, e chegamos a um consenso em pontos complicados, com o vale-compra dos aposentados”, completou, referindo-se a transformação do vale-refeição em abono de R$ 300,00 para servidores que ganham até R$ 2.300,00, extensivo aos inativos.
Todas as propostas acertadas nessa sexta (22) com o Sinserm serão formatadas em projeto de lei, nos próximos dias, e enviadas à Câmara para apreciação dos vereadores. Apenas a mudança da data-base, de março para janeiro, ficará fora do texto, pois foi rejeitada pela categoria.