08 de julho de 2026
Articulistas

Sonhos esfaqueados

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Um dos maiores prazeres da vida é conhecer lugares turísticos. Uma pena que a insegurança assombre tanto ? e a todos. Na sexta-feira mesmo, funcionários de um dos maiores polos atrativos de gente chegou a ser fechado por sete horas em protesto contra a falta de segurança. Ninguém aguenta mais os "arrastões" com dezenas de ladrões, que partem para a agressão. Não foi na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. Foi na Torre Eiffel.

Em comunicado, funcionários justificaram que a cruzada de braços foi motivada pelas "agressões e ameaças" praticadas por bandidos dentro e fora do colossal monumento de Paris. O "Diário de Notícias", de Portugal, detalhou: "De acordo com a lei francesa, os trabalhadores podem retirar-se do posto de trabalho se sentirem que correm ?perigo grave ou iminente? para a sua vida".

Recentemente, o jornal "Zero Hora" noticiou o aumento de furtos e roubos a brasileiros em Buenos Aires. "Não dá para sair com nada na rua", disse a advogada Viviane Favero, que alertou: ladrões nunca agem sozinhos. Em 2009, atentado no "mercado artesanal" de Khan el Khalili matou uma francesa no Cairo, Egito, e feriu outros 15 estrangeiros. Em 2005, o mercado já havia sido alvo de homem-bomba: saldo de três estrangeiros mortos.

Voltando ao Brasil: de bicicleta, o médico Jaime Gold, 57 anos, perdeu a vida ao ser brutalmente atacado com facão na Lagoa durante assalto à noite. Um adolescente com histórico de sérios problemas familiares, abandono da escola e 15 ocorrências policiais foi apreendido. Antes de tirar a vida do médico, de certa forma, ele também já teve a sua própria roubada? Márcia Amil, ex-mulher do médico, na Globo: "São gerações de vítimas do nosso sistema, da nossa falta de educação, saúde. O ser humano caiu no valor banal, onde não existe o menor valor humano".

Os casos descritos são apenas alguns mais visíveis registrados em lugares de grande aglomeração pelo mundo. As raízes dos crimes podem ser muito diversas entre si, mas não deixam de ser o que são: crimes. O jornal "Extra" do Rio lamentou a morte do médico e bradou que não se deve esquecer dos inocentes mortos na periferia, inclusive por abuso policial. Em Bauru, mais marcantemente, a violência pula os nossos muros e amarra nossos familiares em truculentos roubos a casas. O nó da lei: jovens no crime (e também há muitos jovens ligados a atentados) precisam de rigorosa punição. Mas qual? E não é o caso aqui de apontar o dedo para que cidade do mundo é a mais violenta. Precisamos é colocar o dedo na ferida das origens da violência. Leva tempo, mas poupa vidas.

O autor é editor executivo do JC