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Alex Mita |
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A funcionária pública Ivone Shinsato considera confortáveis as casas de madeira; na foto, ela aparece com a irmã Kazue Shinsato |
Bauru tem 109.098 residências. Desse total, 3,26% são de madeira, o que representa 3.576 casas, segundo dados são do último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nessa época do ano, dependendo do estado de conservação dessas construções, o frio pode ser sentido com maior intensidade pelos moradores.
Há cerca de oito anos, a funcionária pública Ivone Shinsato mudou-se para uma residência de madeira localizada na quadra 1 da rua Professor José Torres Brito, no Parque Boa Vista. Mas, para a moradora que viveu cerca de 20 anos no Japão, o frio que faz em Bauru não preocupa.
“Por lá, as casas de madeira são bastante comuns. Por aqui não faz parte da cultura do povo. Eu já morei em casa de tijolos em Bauru. E não vejo diferenças em relação à temperatura. Gosto de casas de madeira porque posso pendurar pregos à vontade”, brinca.
Por não ser de interesse da maioria, as casas de madeira costumam ter um preço mais atraente para os compradores. “Esse foi o meu caso. Essas residências mais antigas também têm quintal grande. E gostamos de plantar legumes, verduras, flores...”, comenta.
Essas edificações são mais ‘frias’?
A resposta é sim, de acordo com o arquiteto Ricardo Almeida. “Tenho um cliente que reformou uma casa e fez questão de manter a estrutura de madeira, porém, ele se arrepende de não ter colocado uma lareira na residência”.
Entretanto, há algumas maneiras de aquecer a sua casa. Nas mais antigas, é importante manter em dia a qualidade do mata-junta, que são as ripas na junção entre uma tábua e outra, o que evita a entrada de ar.
Por outro lado, transformar essas antigas casas em lugares mais aconchegantes, principalmente no inverno, não é algo muito barato. “Revestir a parte interna da casa com gesso é uma das indicações. Entre o gesso e a madeira, uma pele de carneiro pode ser usada para aquecer o ambiente”.
Forrar a casa é uma opção mais em conta. “Um forro de madeira ou de gesso também é aconselhável e ajuda a aquecer a residência. Entre o forro e as telhas, mantas podem ser fixadas para evitar a passagem de frio”, orienta Almeida.
Tendência é substituição
Segundo o arquiteto, a tendência é a substituição das antigas residências de madeira por alvenaria. Ao menos é o que ele sente com os pedidos. “Tenho muitos clientes que me procuram para a reforma de suas casas de madeira e optam pela substituição do material. Acabam demolindo”.
Com o passar das décadas, aponta o arquiteto, o perfil das construções em madeira também mudou. Construídas no início da formação da cidade, as antigas residências de tábuas eram básicas e praticamente com o mesmo padrão arquitetônico.
“A madeira era barata e abundante. As edificações eram mais fáceis e as pessoas optavam por elas. Hoje em dia, a madeira é material caro e cada vez mais raro”, finaliza.