Quem passa pela altura da quadra 3 da rua São Sebastião, na Vila São Sebastião, fica no mínimo curioso para saber a história da rua José Portela Cunha, via de uma quadra só, paralela ao endereço mencionado. Um conjunto de sete casas construídas em madeira, e com a mesma estrutura, que lembra uma pequena vila.
Conhecendo um pouco mais de perto a história da curiosa rua, a surpresa é ainda maior. Todas as casas foram construídas para uma mesma família. Tudo começou há 60 anos, quando um conhecido carroceiro construiu a primeira das sete residências. E até hoje tudo permanece assim.
“Eu vim morar com meus pais nesta casa, onde ainda vivo, quando tinha 2 anos de idade. Uns 15 anos depois, ele construiu as outras para os filhos já adultos”, recorda dona Fátima Godoi. A simpática moradora é a mais antiga da rua.
E a tradição de manter toda a família por perto foi levada a sério por dona Fátima. “Minhas filhas moram comigo no mesmo quintal. Nas outras casas tenho filhos, sobrinhas, cunhada e pessoas que consideramos como parentes. É uma alegria ter a família por perto, vivendo assim, na mesma rua, e mantendo o que meu pai construiu. Adoro viver dessa forma”, orgulha-se.
Das sete casas, duas são habitadas por inquilinos e duas delas tiveram a madeira trocada por tijolos. Nos quintais, edículas foram construídas em alvenaria, mas a casa principal teve a estrutura mantida. “Eu não troco. Gosto mesmo é de casa de madeira. Acho bonito e confortável. Além disso, o trem de cargas passa aqui pertinho e a madeira nada sofre com o impacto. Se fosse de tijolos, as paredes estariam todas trincadas”, acredita.
Cobertores não podem faltar
E quando o assunto é o frio, dona Fátima e sua família têm os seus segredos para mantê-lo bem longe.
“Nós estamos acostumados com os dias mais frios, porque sempre moramos aqui. Estamos no meio de dois córregos, entre eles, o córrego da Grama. O segredo é tomar cuidado para não entrar vento dentro da casa. Mas hoje em dia o frio é menor. Já vi muita geada por aqui. Mas quando o ar gelado chega, mantemos as portas e janelas fechadas. E quando aperta mesmo, não tem jeito, só com cobertor. E com a família juntinha é melhor ainda. Às vezes, para dormir, usamos até quatro cobertores”, diz a bem-humorada dona Fátima.
Dias frios pedem cuidado redobrado
Para evitar que o vento entre e deixe a casa ainda mais fria, alguns moradores de residências de madeira costumam adotar medidas perigosas, segundo comenta o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito.
E uma dessas ações perigosas consiste em colocar carvão dentro de latas de tinta de 20 litros, atear fogo e deixar aquecendo o quarto durante a noite. “Isso é extremamente perigoso por dois motivos, principalmente. Além de representar risco de incêndio, o carvão solta uma fumaça que parece imperceptível, mas que depois de duas ou três horas já preencheu todo o quarto com gás carbônico e a pessoa pode morrer”, alerta Brito.
Segundo o coordenador da Defesa Civil, a atitude descrita costuma ser muito praticada em favelas. E acidentes já foram registrados no munícipio. “Há um certo tempo atendemos um caso de um morador do Parque das Nações que passou muito mal porque dormiu com carvão queimando no quarto para se aquecer”, lembra.
Ventilação
Ainda segundo Brito, outro erro é tapar todas as entradas de ar da residência com tecidos, também algo muito comum. “Em qualquer residência deve haver uma entrada de ar para evitar a asfixia. É por isso que a maioria das janelas vem com furinhos”, comenta.
Existe uma tendência a incêndios residenciais nessa época do ano, devido ao ar seco. As pessoas também acabam usando velas, por causa das homenagens aos santos juninos, o que é preocupante, na opinião de Brito.
Ele ainda ressalta que é importante evitar o acúmulo de tecidos e roupas, mesmo dentro de armários. Mantê-los longe de fiação e tomadas é um cuidado capaz de evitar incêndios no caso de curto-circuito. “Já vimos casas com a fiação elétrica dentro do guarda-roupas. Um perigo constante”, finaliza.