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Acompanhando o ritmo de crescimento populacional mais lento de todo o Estado, Bauru chegou, neste mês, a 354.928 habitantes, segundo estudo divulgado na última semana pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). São apenas 11 mil habitantes a mais do que o registrado há cinco anos no Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa de crescimento no período, ainda de acordo com a Seade, foi de 0,65% ao ano. E tende a ficar cada vez menor. A projeção apresentada no estudo SP Demográfico indica que, no município, o índice cairá para 0,52% entre 2015 e 2020. No quinquênio seguinte, a taxa deverá ter novo decréscimo, com aumento populacional anual de 0,36%, chegando, até 2030, a 0,18%.
“Essa desaceleração vem sendo verificada no Estado como um todo, resultado das quedas sucessivas das taxas de fecundidade ao longo das últimas décadas. E o volume de migrantes para o Estado também é bem menor do que no passado”, pontua Monica La Porte Teixeira, analista de projetos da Fundação Seade.
Segundo o estudo, nos últimos cinco anos, a população paulista cresceu 0,87% ao ano, taxa inferior às registradas nos quinquênios 2000-2005 (1,18%) e 2005-2010 (1,01%). Para se ter uma ideia, na década de 1980, as taxas de crescimento superavam 2% ao ano.
As projeções da Seade indicam que a desaceleração populacional no Estado terá seguimento no futuro, com grande probabilidade de alcançar um patamar de crescimento muito próximo de zero até 2040 e negativo até o final da metade deste século. “É algo que já se consolidou em países mais antigos, como os europeus, que estão constantemente recrutando imigrantes (para trabalhar, principalmente em funções operacionais), porque sua população envelheceu e não é mais reposta”, acrescenta a analista de projetos.
Migração
Ainda de acordo com o levantamento, as regiões paulistas que registraram maior índice de crescimento estão geograficamente mais próximas à área metropolitana do Estado. São elas: Ribeirão Preto (1,27%), Campinas (1,21%), São José dos Campos (1,05%) e Sorocaba (0,96%), além da região metropolitana da Baixada Santista (1,02%).
Todas tiveram taxas superiores à média estadual e acima, inclusive, do crescimento da região de São Paulo (0,78%). “Mas, mesmo com maior ou menor intensidade, estas regiões também acompanham esta desaceleração populacional que ocorre em todo o Estado”, frisa Monica.
Professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, o antropólogo Claudio Bertolli Filho acredita que esta variação entre regiões ocorre pela crença, principalmente entre a população mais jovem, de que as grandes oportunidades continuam nas metrópoles. “Por mais que estas regiões tenham muitos problemas em termos de moradia, transporte, saúde e segurança, elas ainda são a preferência de quem está se inserindo no mercado de trabalho ou almeja crescimento profissional”, pontua.
Ele lembra, contudo, que há, no sentido contrário, um movimento de migração de famílias para o Interior, em busca de tranquilidade e qualidade de vida. “É um movimento menos intenso, mas que deve levar ao maior envelhecimento da população, repetindo o que aconteceu em cidades menores no passado”, completa.
Método
A projeção de crescimento populacional realizada pela Fundação Seade é realizada pelo método dos componentes demográficos, que se baseia em registros cartoriais de nascimentos e óbitos, bem como em dados de migração. Além de considerar as estatísticas do IBGE, são levados em consideração, ainda, os dados vitais da Fundação, que contemplam o histórico passado e presente dos municípios. A partir desta base, é possível elaborar hipóteses futuras para cada um deles.
Queda no ritmo de crescimento reflete uma mudança sociocultural
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Aceituno Jr./Arquivo |
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Bertolli explica que casais pensam mais antes do 2.º filho |
A analista de projetos da Fundação Seade Monica La Porte Teixeira afirma que a desaceleração do crescimento populacional verificada em todo o Estado é reflexo da queda da taxa de natalidade nas últimas décadas, provocada, entre outros motivos, pelo advento de vários métodos contraceptivos que permitiram o planejamento familiar, bem como pelo ingresso da mulher no mercado de trabalho.
O antropólogo Claudio Bertolli Filho, da Unesp, explica que esta mudança sociocultural teve início após a Segunda Guerra Mundial e se sedimentou, inclusive, em cidades interioranas. E esta nova configuração familiar, com um ou dois filhos, também resultou na transformação dos padrões de consumo, que elevaram o custo de vida destes núcleos.
“A classe média e a elite evitam o uso de serviços públicos e acabam tendo despesas bastante altas com educação e saúde, por exemplo. Principalmente os casais de classe média, hoje, pensam muito antes de ter o segundo filho, exatamente por conta do sacrifício financeiro que demanda manter este padrão”, observa.