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Luiz Carlos Cavalchuki/ONG Rio Pardo Vivo |
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A ONG Rio Pardo Vivo apurou que, de 40 dias para cá, 15 hectares de áreas arborizadas foram desmatadas no entorno do rio em Santa Bárbara |
A ONG Rio Pardo Vivo, sediada em Santa Cruz do Rio Pardo, pretende fazer uma manifestação em prol do rio que dá nome à entidade. O intuito é evitar que seja instalada uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) no trecho que passa por Águas de Santa Bárbara (103 quilômetros de Bauru). Inclusive, de 40 dias para cá, a empresa responsável pelas obras já derrubou 15 hectares de árvores.
De acordo com o presidente da ONG e especialista em gestão de recursos hídricos, Luiz Carlos Cavalchuki, desde 2002, quando o País passou por um “apagão”, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou a realização de estudos de impacto ambiental e energético em diversos locais de forma a expandir a exploração de energia elétrica. Diante disso, algumas empresas descobriram o rio Pardo.
Em 2006, três instituições apresentaram projetos para a construção de cinco Pequenas Centrais de Hidrelétricas (PCHs) no local, sendo três na região de Santa Cruz do Rio Pardo, uma em Águas de Santa Bárbara e outra em Iaras. Em relação às três primeiras, a ONG agiu de imediato. “Por meio de audiências públicas, conseguimos mostrar a inviabilidade das obras, que foram impedidas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)”, revela.
Além disso, a Cetesb também inviabilizou a implantação de uma usina em Iaras. Restou a PCH de Águas de Santa Bárbara, cuja licença de instalação teria sido obtida em 2010. O presidente da ONG narra que, de 40 dias para cá, a empresa PB Produção de Energia Elétrica Ltda, localizada em Amparo, no Interior de São Paulo, já derrubou 15 hectares de plantas nativas e a ideia era desmatar ainda mais 59. “Nós decidimos agir”, adianta.
Diante disso, a Rio Pardo Vivo recorreu à Cetesb e ao Ministério Público (MP), que teria ingressado com uma ação. “Enquanto os trâmites na Justiça se desenrolam, a Cetesb já impediu o desmatamento e, por consequência, as obras no local. Mas não há nada definitivo. Por conta disso, faremos uma manifestação. Se as obras continuassem, causariam um dos maiores desastres ambientais da região”, argumenta Cavalchuki.
Danos
O presidente da ONG Rio Pardo Vivo, Luiz Carlos Cavalchuki, a construção da usina provocaria a inundação de 33 propriedades rurais. Além disso, ela seria instalada a pouco mais que 1 quilômetros do Balneário de Santa Bárbara e não há um estudo que comprove que, se o aquífero for atingido, a água não seria contaminada. “O barramento trará um peso muito grande em cima do aquífero”, justifica.
Segundo Cavalchuki, as barragens terão 280 metros de comprimento por 28 metros de altura. “As empresas que utilizam a água como matéria-prima também serão afetadas, porque a pressão do reservatório poderá atingir o aquífero e alterar a qualidade da água. Além disso, existem outras consequências, como a perda de áreas para agricultura e até de variedades genéticas de plantas”, adverte.
Outra curiosidade apontada pelo presidente da entidade é que a produção de energia da usina de Santa Bárbara não significaria quase nada, já que geraria apenas sete megawatts por hora. “Em comparação com o que a região geram em biomassa, um valor equivalente a 150 megawatts por hora, o valor é ínfimo. Não vale a pena ‘arriscar’ o rio, que também foi atingido pela seca do último verão”, finaliza.
O JC tentou entrar em contato com a empresa PB Produção de Energia Elétrica Ltda, responsável pelo aproveitamento energético na região de Santa Bárbara. No estudo de impacto ambiental, divulgado pela instituição em 2006, consta o endereço, a razão social e o telefone da empresa. Contudo, quando a equipe de reportagem ligou para o número, foi informada que estava fora do ar.
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Histórico
Além de balancear o ecossistema na região, o rio Pardo é um dos maiores corredores ecológicos do Estado de São Paulo. Com 264 quilômetros de extensão, o rio passa por 15 municípios, começando em Pardinho e terminando na represa de Salto Grande (veja ilustração).
Inclusive, existe um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para transformar o rio Pardo em patrimônio ambiental, fato que impediria de forma definitiva a instalação de PCHs. O texto deverá ser votado em agosto deste ano.
Manifestação
Com o intuito de sensibilizar o poder público e a população de forma geral, a ONG Rio Pardo Vivo promoverá, no próximo final de semana, a manifestação “É preciso plantar florestas para colher água”. O evento ocorrerá no próximo sábado, dia 30 de maio, no Balneário de Águas de Santa Bárbara, das 11h às 16h. Mais informações podem ser obtidas por meio da página https://www.facebook.com/RioPardoVivo.
O evento também contará com o apoio da Prefeitura de Santa Bárbara.
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Luiz Carlos Cavalchuki/ONG Rio Pardo Vivo |
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Centenas de galhos cortados de árvores em área que fica próxima ao rio Pardo conforme foto tirada por ONG |