09 de julho de 2026
Polícia

Corpo é achado no Tangarás e revela 8º homicídio do ano em Bauru


| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

As chances de ser a Francieli são de 90%, diz Kleber Granja

Delegado, da DIG

Um corpo em estágio avançado de decomposição foi localizado no início da tarde dessa terça-feira (26), no Jardim Tangarás, em Bauru. Devido ao tamanho da vítima, as roupas que vestia e o local onde estava, a Polícia Civil acredita que possa se tratar de Francieli Natália Lima da Silva, 23 anos, desaparecida desde o dia 19 de maio. Trata-se do oitavo homicídio registrado em 2015, em Bauru.


A jovem é usuária de crack e, segundo testemunhas, teria sido jurada de morte após furtar uma arma e drogas de um traficante do Ferradura Mirim, bairro vizinho ao Tangarás. O corpo foi encontrado por volta das 13h, em uma trilha dentro de um matagal próximo à ponte que dá acesso ao bairro, na quadra 1 da rua Natal Fornazari.


O cadáver estava às margens de um córrego e foi avistado por um homem que levava cabeças de gado para pastagem. “Ele sentiu um cheiro forte e descobriu o corpo”, comenta o delegado Kleber Granja, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ).


A Polícia Militar foi acionada e constatou que a vítima, uma mulher, havia sido parcialmente carbonizada. A DIG conseguiu detectar, contudo, que ela vestia short jeans preto, blusa de frio preta e uma blusinha estampada por baixo. A descrição das peças é a mesma dada pela família de Francieli, quando ela desapareceu.


A única diferença estava no par de chinelos encontrado com o cadáver, já que a jovem foi vista pela última vez calçando tênis brancos. “Mas a estrutura física é muito semelhante e o tempo aproximado de decomposição, compatível com o tempo em que ela está desaparecida. Além disso, o local onde o corpo foi encontrado é próximo à biqueira (local de venda de drogas) que ela frequentava. As chances de ser a Francieli são de 90%”, crava Granja.

Alex Mita

Francieli da Silva teria sido jurada de morte depois de furtar arma e drogas de traficante; PMs foram acionados após corpo carbonizado ser localizado às margens de um córrego

O boletim de ocorrência de desaparecimento da jovem foi registrado no último dia 21. Naquela época, a família já suspeitava de que ela pudesse estar morta. As investigações, contudo, tiveram início somente na manhã de ontem, quando o caso chegou à DIG.

Executada


Horas antes de o corpo ser encontrado no Jardim Tangarás, a mãe de Francieli prestou depoimento ao delegado. “Apuramos que havia um comentário no bairro de que ela havia furtado arma e droga de traficantes e de que tinha partido uma ordem do comando para executá-la”, pontua Granja.


Segundo o delegado, pelas pistas coletadas e pela dinâmica do local onde o corpo foi encontrado, ao menos três pessoas teriam participado do assassinato da vítima localizada às margens do córrego. Mas, devido ao estágio avançado de decomposição, não foi possível garantir, com total certeza, que o corpo era mesmo o de Francieli.


De acordo com o delegado, a confirmação poderá vir a partir do exame datiloscópico, que será solicitado inicialmente. A previsão é de que o resultado fique pronto em uma semana.


“Faremos a comparação das digitais com a do documento de identidade. Se não for possível um resultado satisfatório, uma segunda opção será a comparação de arcada dentária com eventuais radiografias que a família tenha guardado. Por último, é possível, ainda, realizar o exame de DNA a partir de material biológico que já iremos coletar de antemão”, completa.


Se identificados, os autores responderão por homicídio triplamente qualificado, por terem cometido o crime por motivo fútil, com emprego de meio cruel e sem chance de defesa da vítima.