09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Literatura andarilha


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De um cântaro de argila ouvia-se um canto ardiloso.

Era tanta pobreza e fé que a parede se sustentava em um quadro da santa ceia. Todo animal se veste a rigor de acordo com a ocasião exceto o pavão que está sempre em traje de gala.

Tenho em mim um deserto mas não o transformo em pérola me falta conhecimento de ostra. Em noite de ventos uivantes os galhos das árvores não dormem. Todo o rio de agua corrente é ontem, sobre meu tempo sou véspera. Leito de rio quando seca vira assombração uma coisa que é sem ser, mas que se fosse era.

A língua lambe o céu da boca para tirar palavras do cérebro.

No silencio noturno dos telhados urbanos os gastos rosnam

Em dia de chuva não tem guarda na esquina, pedinte não pede, andarilho não anda. Filosofia de lagartixa: perco o rabo mas não perco a vida.

De tanto ouvir dizer que parede tem ouvido coloquei um toldo para servir-lhe de orelha. As pedras se fecundam com o sol da manhã para dar à luz.

Na rua vazia o silêncio entrava pela janela. Quando era moleque foi brincando de cobra cega que aprendi o oficio de apalpar.

Coberto por raízes, um sapo foi permanente. Depois de um curisco estrondoso o coqueiro virou um toco podre e recebeu trepadeira que pariu flores.

Ele conversava alto como um cantor de óperas. Agraciado pela amplidão do mato as borboletas coloriram meu arredor.

Quando se é intelectual em artes abstrata até as palavras sem sentido é chamada de "fragmentos literário".

A vida é cheia de erosões onde nossos sentimentos caminham em solavancos.

Assim que amanhece, os pássaros começam a beliscar o dia alguns levam borboletas no bico. Tudo que a fonte produz vai por água abaixo. Já vi um lobo beber água no rio e uivar para o sol poente.. Em noite de lua cheia tem rosa que evolui pra pássaro cria asas e voa.

Lobisomem confunde besouro com azeitona. Me diziam quando eu era criança que a meia noite as águas dos rios param e o lobisomem atravessa sem pinguela.

Índio aprendeu a deficiência de gritar, com os brancos. O cerrado é consistente, amplo e vago. Os andarilhos têm casa ampla com enormes corredores.

Lázaro Carneiro