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Éder Azevedo |
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Angústia nos corredores: 32 doentes aguardavam por leitos; 15 deles precisavam com urgência |
A quinta-feira (28) no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru não foi nada fácil. Para familiares e pacientes que dependiam de leitos hospitalares, o dia chegou a ser de angústia. Os corredores da unidade ficaram lotados, as macas não eram suficientes e mesmo os doentes cuja internação imediata havia sido determinada pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross), órgão vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, tiveram que esperar para serem transferidos, mesmo com a gravidade de seus quadros clínicos.
Por volta das 15h desta quinta, 32 pessoas esperavam vagas em hospitais. Desse total, 15 eram casos de “vaga zero”, aqueles nos quais a ordem para a internação é emitida de forma imediata, independentemente da disponibilidade de leitos nas unidades de média e alta complexidade, aqui em Bauru, gerenciadas pela Famesp.
Diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) do município, José Antônio Bertozo Sabbag confirmou o cenário de caos no Pronto-Socorro. Segundo ele, os hospitais não deveriam deixar de receber esses pacientes. Quando há recusas, boletins de ocorrência são registrados.
“Se a Cross determina a ‘vaga zero’ é porque a pessoa está esperando há mais de 24 horas. Em tese, eles têm que dar um jeito. Mas se não há onde colocá-las, como vão fazer?”, questiona. A população também quer esta resposta.
Sabbag explica que o problema se agrava ainda mais porque, a partir do momento em que o serviço estadual de regulação de leitos recorre ao instrumento, finaliza o processo. “Eles mandam arranjar a vaga e encerram o acompanhamento. Só que o Hospital Estadual diz que não tem como receber o paciente e a gente fica no impasse. Eu tento resolver e negociar diretamente com os responsáveis pelos leitos para tentar liberar as internações o quanto antes”, conta.
Ao início da noite desta quinta, o diretor da Urgência e Emergência, sem precisar números, afirmou que uma boa quantidade de leitos foi liberada e que “praticamente todos” os pacientes enquadrados na “vaga zero” conseguiram ser internados. Na ocasião, tanto a Secretaria do Estado de Saúde quanto a Famesp já haviam sido acionadas pela reportagem do JC. A organização social, responsável pela gestão do Estadual e do Hospital de Base (HB), não se manifestou até o fechamento desta edição.
SEM MACAS
O número elevado de pessoas esperando por leitos hospitalares nos corredores do Pronto-Socorro fez com que se esgotassem as macas disponíveis na unidade. Por esse motivo, a maca da ambulância de uma concessionária de rodovia precisou ser retida na unidade para acomodar o paciente transportado.
“Ligaram reclamando, pedindo a liberação, mas a gente não tinha onde colocar a pessoa”, relata Sabbag.
Internação obrigatória
A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo esclarece que a determinação de “vaga zero” pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) ocorre apenas em casos muito urgentes, nos quais os pacientes precisam ser atendidos em unidades de maior complexidade. “Porém, nenhum hospital pode recusar o paciente”, informou o órgão, por meio de nota.
Os questionamentos sobre eventuais sanções a organizações sociais que não cumpram essa determinação não foram respondidos.
Na última quarta-feira (27), o JC noticiou o caso de Joselita Maria de Moraes Faria, 50 anos. Ela foi conduzida do Pronto-Socorro de Bauru até o Hospital das Clínicas de Botucatu, mas a unidade se recusou recebê-la. Sua vaga saiu apenas em Ribeirão Preto, a 228 quilômetros. Sobre esse caso, a Secretaria de Estado diz que a direção da unidade está apurando o ocorrido para “evitar que situações como essa voltem a acontecer”.
De novo?
Entre 2012 e 2013, Bauru enfrentou colapso da falta de leitos hospitalares, motivado, inclusive, pelo crise no Hospital de Base, antes de a gestão ser transferida para a Famesp. A situação provocou a instauração de inquérito pela Polícia Civil, intervenções do Ministério Público e o prefeito Rodrigo Agostinho decretou estado de emergência.
Luiz Antônio Bertozo Sabbag diz que, após a drástica redução do problema, não há novos elementos que apontem a instauração de uma nova crise, apesar do déficit crônico de 200 a 300 leitos na cidade. “É uma questão sazonal”.
Sobre o assunto, o Estado alega atuar fortemente na assistência hospitalar aos pacientes dos SUS em Bauru e assume sozinho, sem a participação da prefeitura, a oferta de tratamento em regime de internação na localidade, embora essa prerrogativa caiba também aos municípios e à União.
“A Prefeitura de Bauru optou por ainda não construir hospitais ou contratar leitos para garantir a internação de seus munícipes. Sugerimos à reportagem verificar junto às unidades de origem dos pacientes que aguardam regulação de vaga se o atendimento prestado tem ocorrido de acordo para que não precisem de unidades de maior complexidade”, finaliza a Secretaria de Saúde de São Paulo, em nota.