10 de julho de 2026
Política

Sindicatos panfletam contra terceirizações

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

A calçada da avenida Rodrigues Alves em frente à Câmara Municipal mais uma vez foi palco de manifestação trabalhista, em ato que começou no final da tarde e se estendeu até o começo da noite dessa sexta-feira (29). A Central Única dos Trabalhadores (CUT) – subsede Bauru, participou do Dia Nacional de Paralisação e Manifestações, que contou com atividades em todo o Brasil.


A principal reivindicação é a manutenção dos direitos trabalhistas e o pedido para que o Congresso não aprove o Projeto de Lei 4330, que flexibiliza as terceirizações, permitindo que as atividades-fim das empresas e do setor público possam ser terceirizadas. “É comprovado que o trabalhador terceirizado sofre mais acidentes, tem salário menor e menos benefícios. A Câmara aprovou, e agora a pressão é para que o Senado arquive ou pelo menos não aprove isso. Já percebemos que a mobilização fez com que o Senado vá com mais calma nesse projeto do que a Câmara”, comenta João Andrade, assessor da CUT em Bauru.


Segundo o líder sindical, mesmo com o trâmite encerrado na Câmara, os deputados que votaram a favor devem ser lembrados. “Alguns inclusive da nossa região, como o Milton Monti (PR), foram a favor do projeto de lei, que vai contra o trabalhador. Neste panfleto que estamos entregando às pessoas, estão o nome de todos os 33 deputados do Estado de São Paulo que foram contra o trabalhador”, reitera


Cerca de 4 mil panfletos foram entregues pela CUT no final do dia, nessa sexta, em Bauru. Um material sobre a precarização das leis trabalhistas também foi distribuído pela esquerda marxista, que tem o vereador Roque Ferreira (PT) como um dos principais nomes na cidade. Ele foi o único parlamentar presente à panfletagem. Durante a manhã, categorias como a dos ferroviários e eletricitários se mobilizaram em Bauru.


Direitos


Para João Andrade, o momento é de luta para assegurar direitos conquistados há mais de 70 anos. “Em países como a Colômbia, onde houve essa flexibilização, os trabalhadores estão cumprindo cargas mais exaustivas e com menos direitos. No Brasil, o que a gente defende é que se regulamente as terceirizações, porque do jeito que estão hoje já são prejudiciais, e agora querem levar para todas as categorias”, pontua.


Andrade lembra que tanto a iniciativa pública como a privada serão afetadas. “Na iniciativa privada, haverá muitas demissões, com recontratações por salários mais baixos, maiores jornadas e menos direitos. No setor público, vai se terceirizar cada vez mais setores, e a luta dos servidores efetivos para melhorar salários, por exemplo, será ainda mais complicada”, afirma. “Em março e abril, quando se discutiu isso no Congresso, muita gente estava focada nos movimentos pela saída da presidente Dilma e não se atentaram a isso. Mas a mobilização foi grande no País, e com certeza vai seguir assim”, conclui.


As medidas provisórias 664 e 665, que vieram do Poder Executivo federal no fim do ano passado, também são contestadas, por mudar as regras de acesso a benefícios como o seguro-desemprego. O movimento pede ainda que a reforma política em andamento acabe com o financiamento empresarial de campanhas, e apoia a greve dos professores estaduais em São Paulo e outros estados do País.


Conhecimento


Os pedestres que passavam em frente ao Legislativo municipal e quem esperava nos pontos de ônibus foram abordados na panfletagem. Funcionário de uma empresa do setor de telecomunicações, Renan William dos Santos Alves, de 20 anos, ainda não estava a par das possíveis mudanças na legislação trabalhista. “Vou ler este material agora e saber como está a situação”, disse.