08 de julho de 2026
Articulistas

Internet, 2.0

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Ao que parece, quem ficou conectada na data exata foi a jornalista Fê Cris Vasconcellos, do jornal "Zero Hora", Rio Grande do Sul. Ela escreveu: "Em 31 de maio de 1995, saía a portaria que criou o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br), órgão que impulsionou o desenvolvimento da rede no país". Especializada em ambientes virtuais, ela acrescentou: "Foi um caso de amor que começou devagarinho".

De fato, maio - e este dia 31, em particular - marcou os efetivos 20 anos da Internet no Brasil. Não por acaso, o "Fantástico" deve hoje também abordar o tema. E, ainda que na Rio-92, os primeiros passos virtuais já haviam sido dados a partir da conexão entre o evento global e universidades dos Estados Unidos, 1995 é "o" ano a ser lembrado.

Estudos da internet.org, contudo, indicam que só 40% da população mundial acessou a Internet em 2014. No Brasil, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, o índice se repete. Mas há controvérsias - e, em outras projeções, como a da TIC Domicílios, mais da metade dos brasileiros já estariam bem conectados, obrigado - e desde 2013.

De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 1,8 novo pedido para acionar linha de internet por aqui é registrado a cada segundo. Hoje, o Brasil estaria entre quinto e quarto país com maior número de acessos à rede mundial de computadores (em torno de 100 milhões de internautas, de acordo com a consultora eMarketer).

O que significa tudo isso? Que, em termos quantitativos, o rolo compressor digital é imparável. Mas, e perguntar não ofende, e em relação à qualidade do que é acessado? Segundo a McAfee, empresa do grupo Intel, mais de 60% dos internautas compartilham... imagens íntimas. Ainda em 2008, pesquisa da Symantec (empresa de segurança da informação) apontava que o Brasil era o campeão mundial de acesso a... sites pornográficos e de conteúdo sexual em geral. Ou seja: 55% dos internautas.

Tudo isso para dizer o seguinte: quase ninguém teve educação digital/preparo antes de acessar o mundo digital pra valer. Abriram a porteira, fomos entrando e escolhendo caminhos mais fáceis. Taí uma boa hora para lembrar que internet também é ferramenta de estudo. Ou "valoroso artefato pedagógico", conforme o site "Mundo Educação".

Se está certa outra pesquisa, do Boston Consulting Group, de que quase 10% dos brasileiros trocam banho por e-mail - e 40% dispensariam exercício físico para teclar em rede -, que assim seja (fazer o quê) também para outros fins, digamos assim.

Só para variar, que tal a gente acessar mais cultura e conhecimento - e menos corpos, curvas e "nós mesmos"? É menos chato do que parece. E é real o ganho para a sequência da vida.

O autor é editor executivo do JC