09 de julho de 2026
Articulistas

Os ianques pisam na bola!

Nélson Itaberá Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Qual a popularidade do futebol com 11 jogadores de cada lado nos EUA? Pífia! Qual o volume de negócios do futebol nesses moldes em solo americano? Dinheiro de pinga, pra economia deles.
Qual a razão, então, dos EUA montarem um aparato de investigação para derrubar cartolas corruptos da Fifa?

Segundo alguns analistas do mundo de negócios, a questão é geopolítica. O especialista em mediação de negociações, cofundador do Centro para a Negociação e a Justiça dos EUA, e formado em direito pela Universidade de Harvard, John Shulman, por exemplo, disse ao UOL que o envolvimento dos americanos no escândalo é uma forma de "cuidar" dos interesses da Rússia e do Qatar, países com quem os EUA têm problemas nas relações políticas, e que serão sedes das próximas Copas do Mundo.
De outro lado, em duas tacadas americanizadas de uma só vez, os grandalhões do soccer, essencialmente, com as mãos põem o dedo na Fifa, órgão privado sob o qual os conterrâneos de Obama não têm quase nenhuma influência no mundo, o que corrói a hegemonia ianque, de certa forma.

Ufa, "que beleza" diria Milton Leite, ou "fecham-se as cortinas e começa o grande espetáculo", ecoaria Fiori Giglioti no tobogan da antessala do comando da bola, em Zurique, Suíça. Bola fora ou não, por tabela, finalmente um apito de juízo apareceu nesse gramado de verdinhas. E, claro, outros bicudões na malandragem contemplam essa peleja.

Mais, ao menos por ora, as estratégias mundanas dos americanos nos permitiram trazer a campo alguns dos ladrões da bola e lançar, como se sabia por aqui, que paixão por futebol é coisa de ópio e de fanáticos porque para os homens que mandam nessa pelada a "loucura" emocional significa apenas milhares de milhões de dólares!
Então, por tabela ou não, já que não acredito em gol contra por acaso, comemoremos, sem bandeiras tremulando às mãos, que os EUA pisam, literalmente, na bola e murcham a saga da lavagem de dinheiro da pátria de chuteiras.

Depois desse aquecimento, ao fim desse túnel, quem sabe, com os EUA entrando em campo, não haverá mais somente a bestial gritaria da torcida uniformizada, enquanto, nos gabinetes, os cartolas se fartam com a roubalheira da catarse do gol.

O autor é jornalista da TV Câmara de Bauru, Jornal da Cidade e compositor