11 de julho de 2026
Nacional

IML entrega mortos errados para famílias em São Paulo

Por Bruno Ribeiro | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Uma troca de corpos no Instituto Médico-Legal (IML) central, em São Paulo, fez com que o autônomo Valdenilson de Barros, de 55 anos, morto há uma semana após sofrer um enfarte, fosse enterrado no lugar de outro homem, Antonio Iak, de 73 anos, segundo as famílias de ambos.


O erro teria acontecido durante o reconhecimento do corpo de Iak, que morreu no dia 28, depois de um acidente de trânsito. O criminalista Ademar Gomes, advogado da família, afirma que, no momento do reconhecimento, parentes de Iak desconfiaram que o corpo não fosse dele, mas foram induzidos por um funcionário a reconhecer a pessoa que havia sido exposta como seu familiar.


"O funcionário falou que ele (Iak) estava diferente porque, depois de mortas, as pessoas ficam mais inchadas. Disse também que o pessoal do IML tinha cortado o cabelo dele", afirma Gomes. Os funcionários argumentaram ainda que haviam feito a barba de Iak, de acordo com o advogado.


Diante das informações, as dúvidas foram deixadas de lado e o processo de reconhecimento e a liberação do corpo seguiram. O suposto corpo de Iak foi velado e enterrado no sábado, no Cemitério Gethsemani, no Morumbi, zona sul da capital.


Troca


A falha do IML só foi percebida pela família de Valdenilson de Barros, também na hora de reconhecer o corpo.


No dia 28, Barros foi levado pela filha, Vânia de Barros, de 26 anos, para o Hospital Geral de Taipas, na zona norte, com fortes dores no peito. Ele não resistiu ao enfarte e morreu na rua, antes de chegar ao pronto-socorro.


"No sábado, meu irmão foi reconhecê-lo e vimos que a pessoa não era a mesma", disse Vânia. Após algumas checagens, os funcionários do IML entenderam o erro e entraram em contato com a família Iak.


Ações


A troca dos corpos ainda não foi desfeita. A família de Iak aguarda uma autorização da Justiça para exumar o corpo que foi enterrado. O processo deve durar aproximadamente um mês. A família de Barros aguarda o mesmo. Somente após o novo reconhecimento, segundo o advogado Ademar Gomes, é que o óbito de Barros será reconhecido.


A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) foi questionada, mas não apresentou nenhuma explicação para o caso até as 20hdesta segunda-feira (1)


O advogado da família Iak afirma que as vítimas do erro moverão uma ação contra o Estado para ressarcimentos.