08 de julho de 2026
Geral

"Rezo para Deus desviar o vento"

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Eucalipto caiu, causou susto em comunidade carente de Bauru e destruiu galinheiro: morador reza para Deus desviar o vento

Cerca de 22 famílias da comunidade da Vila Aviação, que residem em uma área atrás de condomínios de luxo na zona sul de Bauru, convivem um risco iminente na porta de casa. Ao menos dez eucaliptos, que têm, em média, 23 metros de altura, localizados no ‘coração’ da comunidade, estão condenados pela Defesa Civil. Ontem, a ameaça se concretizou e acendeu o alerta com a queda de um eucalipto de aproximadamente 25 metros que, por sorte, não deixou feridos, mas assustou tanto moradores quanto agentes do poder público que estiveram prestando auxílio no local.

“Eu rezo todos os dias para Deus desviar o vento. Os estalos são cada dia mais fortes. Dá a impressão de que vão cair a qualquer momento sobre nós”, disparou Luís Carlos Alves, de 43 anos, ao ver a equipe de reportagem.

Alves se identificou como proprietário de uma estrutura de madeira que foi atingida em cheio pelo eucalipto gigante ontem.

Segundo o homem, o local era a futura casa de sua filha e de seus netos, com idades de 6 e 4 anos.

“Foi por Deus que não conseguimos terminar. Do contrário, era para eles estarem ali dentro”, comenta o morador, olhando para todos os destroços.

Adeus aos frangos

Gigante, o eucalipto, que caiu por volta das 16h, também destruiu parte do telhado do barraco de madeira de Marcos Felipe dos Santos, de 19 anos, que, no momento, cortava o cabelo de jovens entre 8 e 17 anos naquele local.

A mãe dele, Lucineia de Lima Santos, de 41 anos, que mora em outro barraco ao lado, brincava com a filha de 9 em um balanço no quintal da casa quando a árvore foi ao solo. “Foi assustador ver aquilo caindo, eu ouvi o estalo e só pensei em pegar minha filha e sair correndo”, lembra a do lar.

A queda destruiu completamente o galinheiro da família Santos, matando quatro dos cinco frangos que eram criados para consumo próprio.

O eucalipto também derrubou outras árvores como um ipê, uma aroeira, um pé de amora e outro de mamão, também cultivados pela família Santos.

Em tempo: as famílias citadas pela reportagem fazem parte de umas das primeiras demandas dirigidas do Minha Casa Minha Vida (MCMV), mas os anos se passaram e, até hoje, elas ainda não foram contempladas.


Eles estão ‘no escuro’

A queda do eucalipto também danificou a fiação de toda a comunidade da Vila Aviação, que permanecia no escuro até o início da noite de ontem. “A prefeitura sabe que está perigoso. Parece que estão esperando alguém morrer”, critica Luís Carlos.

Os moradores se sentem “no escuro” literalmente e metaforicamente, uma vez que o poder público não aponta soluções para as dez árvores condenadas ali.

Os eucaliptos citados, segundo a Defesa Civil, estão situados em uma área fechada e que teria sido repassada ao município recentemente. “O problema é que as viaturas não conseguem entrar aqui por ser um caminho estreito e cheio de buracos, mas vamos enviar, amanhã (hoje), uma equipe da Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) e pedir auxílio do Corpo de Bombeiros para cortar e conseguir liberar a via”, afirma Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil.