A Polícia Civil localizou a fábrica clandestina usada para produzir cigarros falsos e distribuir os produtos para toda região e até cidades de outros Estados brasileiros. O galpão, com estrutura milionária, era mantido no bairro Santana, zona rural de Ibitinga (90 quilômetros de Bauru). No local foram apreendidos cerca de R$ 2 milhões em máquinas, além de materiais utilizados na linha de produção.
O flagrante, ocorrido na madrugada de ontem, praticamente encerra uma investigação de mais de dois meses, que resultou, semana passada, na prisão de quatro pessoas acusadas de integrar a quadrilha e que tinha como chefe da associação criminosa um morador de Bauru. Na ocasião, diversas mercadorias foram aprendidas durante inspeção em um galpão, conforme o JC noticiou (leia abaixo/ao lado).
A operação foi desencadeada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru em conjunto com o setor de inteligência da Seccional e da Polícia Civil de Jaú e Pederneiras. Segundo o delegado titular da Dise, Cledson Nascimento, já era de conhecimento da polícia que integrantes da quadrilha costumavam utilizar, principalmente, granjas como fachadas para esconder a atividade real da fábrica.
“Mapeamos as propriedades em Ibitinga e descobrimos que, uma delas, havia sido recentemente locada por um morador de Arealva, cujo nome já tinha aparecido nas investigações. Chegamos no momento em que dois homens estavam carregando o maquinário em um caminhão baú, com placas de São Paulo, para deixar o local. Eles tinham carregado três das 10 máquinas utilizadas na produção, equipamentos com valor total estimado em mais de R$ 2 milhões”, contou Nascimento.
Ainda de acordo com o delegado, o motorista alegou que havia sido contratado para fazer o transporte e não tinha conhecimento da função das máquinas. Ele foi liberado após prestar depoimento. Já o outro homem, que havia contratado o caminhão, é filho do dono do depósito, preso durante a operação de quinta-feira passada. “Ele, contudo, conseguiu fugir”, acrescentou.
Dupla linha de produção
Além das 10 máquinas encontradas no local, a fábrica contava com toda estrutura necessária para a fabricação dos cigarros como setor de impressão dos pacotes e maços, selos falsificados, filtros, tabacos semelhantes aos encontrados no depósito há uma semana e até bobinas de papel para enrolar as mercadorias. “A quadrilha mantinha dupla linha de produção: uma de produtos nacionais e outra de cigarros falsificados do Paraguai”, detalhou Nascimento.
Todo maquinário e matéria-prima apreendidos foram periciados e encaminhados para o pátio da Receita Federal de Araraquara. “A gente dá as investigações como encerradas, pois identificamos a grande maioria dos envolvidos e tiramos a fábrica e o depósito de circulação. O próximo passo é tentar descobrir quem fornece os insumos e material impresso para a linha de produção”, concluiu Nascimento.
Alojamento
O delegado titular da Dise em Bauru, Cledson Nascimento, estima que ao menos 25 pessoas trabalhavam na produção dos cigarros falsificados em fábrica clandestina em Ibitinga. “Encontramos um alojamento na propriedade e tudo indica que deixaram o local às pressas, deixando para trás mantimentos, panelas, roupas e muita coisa do Paraguai”, relatou o delegado.
Prisões
Conforme o JC noticiou, a Polícia Civil prendeu, no último dia 28 de maio, quatro pessoas acusadas de integrar a quadrilha que fabricava cigarros falsificados e distribuía a mercadoria para toda região e cidades de outros Estados.
Identificado como chefe da associação criminosa e responsável por toda a logística do esquema, Antonio Benedito da Silva, 52 anos, era morador de Bauru. Além dele, foram presos Robson Ricardo Teles, 38 anos, morador de Arealva, Éderson Henrique Razza, 33 anos, e Tiago Pinto de Carvalho, 29 anos, ambos de Ibitinga.
Os três foram flagrados no depósito localizado em Ibitinga, onde a polícia apreendeu aproximadamente 85 mil maços de cigarro falsificados e duas carretas, além de 224 bobinas de papel próprio para a fabricação do produto e 14,3 toneladas de fumo, que ainda seriam misturadas a outros componentes.
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Polícia Civil/Divulgação |
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A fábrica de cigarros ficava no bairro rural Santana, em Ibitinga e o máquinário estava pronto para ser retirado pelo filho do galpão quando foi surpreendido por policiais civis |
https://www.jcnet.com.br/Policia/2015/05/presos-fabricantes-de-cigarros-falsos.html
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