08 de julho de 2026
Geral

Voluntários dão vida a Corpus Christi

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 4 min

Mais de 5 mil pessoas participaram ontem da Festa de Corpus Christi em Bauru, segundo estimativa da própria Igreja Católica, que se baseou na quantidade de hóstias consagradas distribuídas aos fiéis. Mas o número pode ser maior: de acordo com a Polícia Militar, cerca de 10 mil pessoas participaram do evento.

 

Dentre tantos devotos estão os mais de mil ministros extraordinários da comunhão eucarística (que distribuíram as hóstias e fizeram o isolamento para a passagem do Santíssimo Sacramento na procissão), os fiéis que colaboraram com a liturgia, aqueles que trabalharam nos preparativos e decoração das ruas, os que arrecadaram e irão entregar as doações, além dos muitos grupos que ficaram de guarda nas quadras enfeitadas para que tudo permanecesse bonito até a passagem de Jesus Eucarístico.

 

Em comunhão

 

“Jamais conseguiria ficar em casa sabendo que o pessoal da minha comunidade está trabalhando nas ruas, que não fui rezar com as pessoas das outras paróquias, que Jesus passou no meio do povo e eu não estava ali nem para dizer um ‘oi’, para vivenciar este momento lindo da nossa fé”, testemunha a pedagoga Maria Nascimento, que há mais de 20 anos colabora com a decoração de Corpus Christi na quadra sob responsabilidade da Paróquia de Santa Luzia, onde é catequista há quase três décadas.

 

Cada trecho do trajeto por onde passa a procissão é decorado por um grupo de comunidades paroquiais (em Bauru são 26 paróquias), organizadas em cinco regiões pastorais. “É uma alegria trabalhar com as outras paróquias, viver essa unidade para evangelizar e testemunhar a fé. É um momento forte, de viver, de fato, a comunhão”, destaca.

 

Para Maria, participar da festa de Corpus Christi não é apenas um preceito católico, mas uma necessidade. 

 

“Jesus se faz alimento para nos fortalecer na caminhada cristã. Quando vejo a multidão seguindo a procissão fico tocada e sempre choro. Penso na caminhada do povo de Deus peregrino em busca da terra prometida, que foi alimentado com o maná; hoje somos alimentados com o próprio corpo de Cristo, a Eucaristia”, compara.

 

Gesto concreto

 

Cada paróquia arrecada doações, conforme a necessidade das famílias carentes ou entidades assistenciais cadastradas. A Paróquia São Cristóvão, por exemplo, irá doar alimentos, cobertores e itens de higiene pessoal e limpeza para o Esquadrão da Vida, o Albergue Noturno e a Comunidade Bom Pastor, mantidas, respectivamente, por evangélicos, espíritas e católicos. “A intenção é mostrar o caráter ecumênico da solidariedade”, afirma a paroquiana Edna Campana.

 

Rito especial

 

A cerimônia de Corpus Christi é a que mais reúne pessoas em Bauru, celebrando não apenas o Corpo de Cristo e sua presença real na vida dos fiéis, mas também a unidade da Igreja e sua missão de auxiliar, pelas arrecadações, os que mais precisam. “Fé e obras caminham lado a lado; a fé sem obras é vazia, assim como só agir, sem um sentido maior. É colocar a Palavra de Deus em prática, fazer o bem sem ver a quem, aprender a amar uns aos outros de forma incondicional. O gesto concreto é uma forma de amar e contribuir com o crescimento humano e espiritual do outro”, avalia o padre Everaldo Junior Rambaldi, assessor da Pastoral Litúrgica da Diocese de Bauru.

 

Ele, que também atua como cerimoniário, explica que a procissão é o prolongamento da missa, que só termina depois que o povo percorre todo o trajeto e recebe a bênção. “É a única celebração do ano em que a bênção do Santíssimo Sacramento está vinculada à missa. Com a bênção faz-se a invocação dos santos, reza-se pela igreja, pelos poderes públicos e pelo povo de modo geral, celebrando a comunhão da Igreja e da sociedade”, conclui.

 

Cristo e povo em procissão

 

 A dentista Fabíola Elias (foto abaixo) gosta tanto de trabalhar na decoração da festa de Corpus Christi que ajuda duas paróquias, a Santa Rita de Cássia e a São Judas Tadeu e São Dimas. Elas são responsáveis pelos enfeites nas escadarias da Igreja Santa Teresinha, baseados na última ceia, trazendo o pão e o vinho, e pelo início do tapete que abriu a procissão este ano, com símbolos eucarísticos e flores feitas de fuxico e patchwork. “De maneira geral, colaborar com a Igreja é uma grande alegria para mim, mas a festa de Corpus Christi é ainda mais especial, pois é dia de sentir e contemplar a presença de Cristo entre nós”, partilha. E completa: “É exatamente isso que me emociona e que diferencia essa liturgia de todas as outras; saber que o próprio Cristo caminha conosco em procissão.”