09 de julho de 2026
Geral

"Chuva" de pedra assusta motoristas

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Atenção redobrada no trânsito, principalmente em rodovias, sempre foi fundamental para garantir uma viagem segura, mas agora, além deste cuidado, os motoristas precisam se preocupar com o que seria, aparentemente, uma nova modalidade de assalto em Bauru: pedradas no para-brisa para forçar o condutor a parar. A suspeita partiu de uma reclamação do taxista Nelson Sabino Filho. A polícia também não descarta tal hipótese (leia mais abaixo). 

 

Nelson relata que, em um período de 20 dias, cinco carros, incluindo o dele, foram alvejados com pedras enquanto trafegavam pela rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Arealva, mais precisamente sob o viaduto da Vila São Paulo. Em todos os casos, os condutores seguiam a caminho do aeroporto Moussa Tobias ou retornavam do local. Porém, nenhuma das vítimas chegou a parar o automóvel, apesar do susto. 

 

“A pedrada foi tão forte que chegou a furar o capô do meu carro. Consegui ver três rapazes em cima do viaduto. Não sei se são os mesmos, mas sempre fica um grupo de pessoas por lá. Os colegas de trabalho já viram também”, relatou Nelson. Ele disse que, minutos após estacionar  no aeroporto, outro taxista chegou com o para-brisa quebrado, vítima da mesma ação.  

 

Carros de passeio

 

A suspeita de ser uma espécie de ataque a taxistas foi descartada após novos casos, envolvendo carros de passeio. Segundo Nelson, dois dias depois de ele ter sido alvo da “gangue da pedra”, uma mulher que foi até o aeroporto buscar familiares relatou ter sido surpreendida, também sob o viaduto da Vila São Paulo. “Mesma história: para-brisa quebrado. Ela estava assustada e com medo de retornar à cidade”, disse o taxista. 

 

Um dos casos, ocorrido na mesma semana, acendeu um alerta ainda mais preocupante. Uma pedra atingiu o vidro dianteiro de uma caminhonete e, por pouco, não “invadiu” o veículo, ocupado por um homem e seus dois filhos pequenos. “Ele ficou muito nervoso e disse que quase perdeu o controle da direção. Poderia ter resultado em um acidente grave envolvendo crianças”, argumentou Nelson. 

 

“A gente não sabe mais o que faz. Se seguimos por baixo ou por cima do viaduto. Como vamos explicar para os passageiros que temos que mudar a rota devido a ataque de pedras? Eles podem pensar que estamos querendo cobrar mais caro a corrida. A situação está ficando insustentável”, criticou o taxista, lembrando de outro colega de trabalho que quase sofreu acidente. “No veículo dele jogaram um monte de entulhos e terra sobre o vidro dianteiro, o que prejudicou sua visibilidade”. 

 

Circular

 

 O motorista de um ônibus circular levou um susto ao ser surpreendido por ato de vandalismo semelhante aos ocorridos no viaduto da Vila São Paulo. Ele trafegava com o veículo na Alameda Vênus, no Santa Edwirges, por volta das 15h30 de quarta-feira, quando, na quadra 4, escutou um grande barulho. 

 

De acordo com boletim de ocorrência (BO), ao estacionar o ônibus para ver o que havia acontecido, ele constatou que um desconhecido atirou uma pedra contra o vidro traseiro, que se quebrou. Por sorte, ninguém se feriu.  

 

Testemunhas disseram que um adolescente teria arremessado a pedra, mas ele não foi localizado. Por meio de assessoria de comunicação, a Transurb informou que “foi um fato isolado e não causa maior preocupação”. 

 

Polícia recomenda só parar em local seguro

 

Para a Polícia Civil de Bauru, o episódio dos veículos alvejados por pedras é novidade, uma vez que as vítimas não registraram boletim de ocorrência. “É importante registrar o fato para que iniciemos uma linha de investigação”, aponta o delegado seccional Ricardo Martines. 

 

Ele não descarta ser uma modalidade de assalto, que em Bauru, seria inédita. “É uma ação ousada. Porém, também podemos trabalhar com a hipótese de vandalismo, ou seja, pessoas se divertindo ao atirar pedras contra os carros, o que não deixa de ser crime”, observa.

 

A recomendação da polícia, conforme alertou Martines, é para que os motoristas prossigam o trajeto. “Se não for o caso de uma situação de risco, tanto para o condutor atingido pela pedrada quanto para os outros motoristas da via, não se deve parar o carro até encontrar um local seguro, já que o objetivo da ação ainda é desconhecido e, de fato, pode ser uma emboscada para prática de roubo”, finaliza o delegado.