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Hugo Prado Filho conquistou o título do ‘Warm Up’ pela 2ª vez |
O Festival Brasil Ride devolveu a coroa de Rei da Cuesta ao seu primeiro dono. Neste sábado, após pedalar por três dias e percorrer 195 km pelas trilhas da bela cadeia de montanhas da região de Botucatu, Hugo Prado Filho (Cannondale OCE) conquistou o título do Warm Up do Festival Brasil Ride pela segunda vez. O primeiro foi em 2013. No feminino, a campeã foi inédita: a paulista Viviane Favery (Specialized Factory Team).
“Minha primeira vitória foi no primeiro ano, em uma etapa final de cinco horas de chuva sem parar”, recorda Hugo, que fechou o evento em 2015 em 7h58min27s. “Nesse ano, cheguei bem focado para voltar a ser campeão. Sacrifiquei muitas coisas na minha rotina e, mesmo sem muito tempo, consegui fazer uma boa preparação nos últimos 40 dias”, contou o atleta, que além de treinar precisa se dividir entre as tarefas de manager de sua equipe, Cannondale OCE, além de outros dois negócios: uma assessoria esportiva, com 300 atletas e seis técnicos, e uma loja especializada em produtos de bicicleta, ambas em Belo Horizonte.
O título foi conquistado muito mais por estratégia do que por força bruta. Hugo ficou sempre entre os primeiros colocados, mas em nenhum momento se importou com o primeiro lugar da etapa: foi o segundo na sexta e no sábado, o suficiente para ter o menor tempo geral.
“O Hallyson (Ferreira, da Focus XC Team Brasil) venceu as duas últimas etapas, mas era carta fora do baralho depois de perder 20 minutos no primeiro dia. Por isso, não fazia sentido nenhum tentar vencer a etapa por ego. Fui muito mais no regulamento, pois sabia que a vitória poderia chegar”, completou.
O vice-campeão foi João Paulo Firmino Ferreira (Scott/Pedal Pró), com o tempo acumulado de 8h04min57s. “Estou muito satisfeito com esse segundo lugar. É o meu principal resultado do ano, depois de um início de temporada ruim. Tive problemas de saúde leves que acabaram prejudicando o período de base de treinamentos, em todo o primeiro semestre. Foi difícil encontrar o ritmo, mas esse resultado mostra que estou no caminho certo”.
Viviane absoluta
No feminino, Viviane Favery dominou a competição de ponta a ponta, sem dar chance para as rivais. Fechou os seus 195 km em 9h50min01s, confirmando importância em sua vida dos eventos Brasil Ride.
“Em uma prova tão longa quanto essa (a etapa deste sábado teve 107 km), rola muita reflexão. Um dos meus pensamentos foi sobre como esse evento é um divisor de águas. Minha vida tomou um rumo diferente depois dele. Me aproximei mais dos atletas da elite e percebi que eles são tão gente quanto a gente”, explicou Viviane, que divide seu tempo entre o esporte e o trabalho como executiva de marketing.
O título de 2015 premia uma mudança de status da atleta em um ano. Após o terceiro lugar de 2014, ela mudou o modo como pensava sua carreira nas trilhas. “Percebi que tenho potencial para ir bem.”
Trail Run e Passeio Ciclístico
Depois de três dias de intensa atividade para os ciclistas, o domingo foi reservado aos corredores. A Trail Run foi disputada na montanha mais alta da região ontem, a “Base da Nuvem”, em dois percursos, de 6 e 16 km. Estavam inscritos 700 atletas. A largada foi às 9h. Um pouco antes, às 8h30, foi a vez do Passeio Ciclístico com saída da Catedral e seguindo até a Base da Nuvem, para que todos possam acompanhar a corrida de montanha, que encerra o Festival Brasil Ride Botucatu.
Mineiro foi o vencedor na categoria ‘Sport’
Com 20 anos de experiência no ciclismo, o mineiro de Divinópolis Ronaldo Júnior (MTB 24 horas) foi o vencedor da cateogoria Sport do Warm Up, com o tempo de 2h22min04s. “Foi uma prova sensacional. Quero parabenizar os responsáveis pela excelente prova, em um local belíssimo e uma organização perfeita”, disse o ciclista.
No feminino, a vencedora, pelo segundo ano seguido, foi Ana Paula Elias (MTB Trip), com 2h42min04s.
“Estou muito feliz por esse bicampeonato. Eu tentei fazer uma largada forte, para me encaixar no pelotão da frente. Quando entrou a estrada de terra, percebi que era a primeira. Tentei manter o ritmo forte, mas as subidinhas dificultavam isso. Mesmo assim, consegui manter esse primeiro lugar”.
A categoria Sport é um desafio menos intenso do que os três dias de sacrifícios da categoria Pró. Com uma só etapa, de 71 km, é ideal para atletas menos experientes e para quem estava na cidade só para acompanhar outros ciclistas.
Foi assim que Verônica Cheliga, analista de materiais em uma empresa de cosméticos da Grande São Paulo, estreou em competições de mountain bike. Ela veio passar o feriado de Corpus Christi em Botucatu ao lado do marido, Toni Cavalheiro, que competiu nos três dias de prova. Como ela já o acampanhava em alguns treinos, resolveu arriscar.
“Nunca participei de prova nenhuma, será a primeira vez. Espero que aguente chegar até o final. Nos treinos, pelo menos, aguentei 70 km”, falou, antes da prova.