10 de julho de 2026
Nacional

BC adverte que brasileiros usam excessivamente cartão de crédito

Por Célia Froufe, Adriana Fernandes e Victor Martins | AE
| Tempo de leitura: 3 min

O Banco Central revelou nesta quinta-feira (11), estar insatisfeito com a forma de operação de cartões e meios eletrônicos financeiros no Brasil. Num raio X sobre o segmento em 2014, a instituição deixou claro que quer dos bancos, por exemplo, barateamento das cobranças de serviços de transferências como TED e DOC. Também advertiu que os brasileiros usam excessivamente cartão de crédito, o que acaba impactando os preços dos produtos.

Para a autarquia, os consumidores têm ido atrás de benefícios, como o de milhas aéreas, mas nem sempre se dão conta dos seus custos - até por falta de transparência de informações. Além de arcar com a manutenção do dinheiro de plástico, o usuário pode se deparar com os juros mais elevados de todo o mercado monitorado pelo governo. Em abril, chegou a 347,5% ao ano a taxa do "rotativo", que é quando o usuário opta pelo pagamento mínimo da fatura e parcela o valor restante.

O tom do relatório anual do BC é de alerta apenas. Não há, por enquanto, sanções previstas para o caso de o quadro não mudar. Sempre cobrado para ter uma postura mais dura com a indústria de cartões que passou a regular há quase dois anos, a instituição chegou a citar em trechos do documento que alguns temas polêmicos ainda serão alvo de debate com o mercado.

O relatório anual revelou que o setor de cartões voltou a crescer no ano passado, mas com menos fôlego. As operações de crédito somaram R$ 593 bilhões em 2014, um aumento de 11% sobre o ano anterior. Em 2013, o avanço havia sido de 15% e esse esfriamento está em linha com o que ocorre no momento com as demais formas de financiamento.

Essa desaceleração também foi vista no segmento de débito, que movimentou R$ 348 bilhões no ano passado. Se em 2013, o crescimento foi de 23%, em 2014 diminuiu para 19%. A soma do valor das transações com cartões de débito e crédito no ano passado foram equivalentes a 14% dos saques efetuados nos bancos.

Mesmo assim, segue a tendência de que as operações com esse tipo de cartão ultrapassem as de crédito. O débito é avaliado pelo regulador como "socialmente" mais eficiente porque é menos custoso para os estabelecimentos comerciais e consumidores, e também tem gerenciamento reduzido de risco em relação às operações com crédito.

Internet

De 2011 a 2014, o uso de internet, celulares e outros meios eletrônicos para serviços financeiros mais do que dobrou, atingindo 131%. No mesmo período, as agências bancárias registraram alta de 21% e os caixas eletrônicos, de 28%. Nas centrais de atendimento, houve queda de 12%. O raio X do BC detectou também que a participação da telefonia móvel na iniciação de transações bancárias saltou de quase nula para 10% nos últimos cinco anos, tendo duplicado no último ano. As redes telefônicas e a internet foram os canais utilizados para iniciar metade das transações bancárias em 2014.

O relatório divulgado pelo BC destacou também o "avanço" na segurança no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). O total de transações com cartões de crédito capturadas via chip foi de 77% do total em 2014. Já o dos pagamentos que utilizaram tarja magnética reduziu de 14% em 2013 para 5%. Já as transações via internet equivaleram a 17%.