09 de julho de 2026
Geral

Negociação da Ajax é prorrogada por 60 dias

Ana Borges
| Tempo de leitura: 2 min

A expectativa dos funcionários da fábrica de baterias Ajax era de que a assembleia de credores realizada na manhã de ontem, no Obeid Plaza Hotel, colocasse um fim na expectativa pelo pagamento dos salários atrasados desde dezembro de 2014. Porém, sem que um acordo fosse firmado, a espera continuará pelo menos por mais 60 dias, prazo estabelecido pela Justiça para uma nova tentativa de regularizar as pendências trabalhistas. 

 

Ontem, durante a assembleia, o clima era de indignação generalizada por parte dos funcionários. Alguns chegaram a se exaltar com a proposta oferecida pela Ajax e a Polícia Militar (PM) foi acionada para prevenir qualquer tumulto no local. Porém, nenhum ato de violência foi registrado. 

 

Os advogados da fábrica, que não deram entrevistas ontem, apresentaram uma proposta, que foi negada pelos trabalhadores. 

 

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e Região, a empresa teria oferecido alguns imóveis como forma de quitar a dívida com os funcionários. 

 

O presidente da entidade, Cândido Augusto Gonçalves Rocha, explicou que a proposta é inviável por dois motivos. “Na verdade, eles ofereceram imóveis, mas muitos estão até interditados e, além disso, superfaturam os valores. Um deles, hoje, no mercado, não vale nem R$ 1 milhão. Na proposta apresentada, colocaram R$ 24 milhões. É uma proposta fraudulenta. Nós precisamos de imóveis que tenham valor comercial e possam ser facilmente vendidos, para que possamos transformar em dinheiro para pagar os trabalhadores”, argumenta.

 

Segundo o funcionário Manoel Rodrigues, que participa da comissão de negociações, a empresa fez uma contraproposta, prometendo depositar R$ 3 milhões, que resultariam em pagamento médio de R$ 5 mil para cada funcionário, como acerto rescisório. A oferta, contudo, foi rejeitada. 

 

“Você percebe que eles não querem pagar, isso é fato. Esse dinheiro seria uma forma de os funcionários recomeçarem. Muitos deles estão com dívidas. Eu mesmo estou contando com a ajuda da minha esposa e precisando recorrer ao limite do banco”, relatou. 

 

Para o funcionário Diego Luiz Leite, a situação também não é diferente. “Desde dezembro, a minha vida mudou completamente. Eu e minha esposa tivemos de ir morar com meus pais e eu perdi até meu carro para o banco, porque não tive mais como pagar o financiamento. Minha esposa trabalha, mas o dinheiro não é suficiente. Estou encaminhando currículos, mas até agora não consegui trabalho. Por isso, ainda não dei baixa na minha carteira”, diz.