Mais perto dos olhos, das mãos e de sensações e aromas que só a natureza pode proporcionar, um jardim vertical é uma forma de estar, literalmente, mais perto das plantas e se envolver com elas; é como ser abraçado por ramos e flores, dos mais variados tipos; um convite para relaxar e respirar melhor sem sair de casa. Mas, afinal, o que caracteriza um painel ou jardim vertical?
“É uma opção do paisagismo em que as plantas se desenvolvem numa parede ou muro, podendo ser implantada em ambientes internos e externos, pequenos espaços ou amplos paredões, não tendo limite de tamanho ou altura, criando um jardim único e exclusivo”, esclarece a paisagista Regiane Nickel, de Duartina.
Porém, nem só de trepadeiras se faz um jardim que sobe pelas paredes. É cada vez mais comum recorrer a vasos, jardineiras, cachepôs, grades de aço, estruturas variadas de metal ou madeira, módulos plásticos próprios para esse fim, prateleiras e suportes, mantas e aramados, blocos de concreto e outros recursos que servem para cultivar as plantas “nas alturas”. Tudo depende das plantas e do espaço a ser ocupado.
“São inúmeros tipos, vão desde pallets fixados em paredes até blocos de alvenaria, painéis em madeira... Até uma janelas de demolição pode ser um pequeno jardim vertical com vasinhos pendurados; vai da criatividade de cada um”, complementa Regiane.
Por essa razão, também varia muito o custo. Mas vale lembrar que há suportes com preços bem acessíveis, vasos baratinhos e a reutilização de materiais (veja em um dos quadros um exemplo de “reciclagem”).
Para molhar
Cada espécie de planta requer um cuidado diferente, e quem deseja misturá-las deve estar atento a esse fator. Na dúvida, pode ser uma boa ideia ter vários jardins verticais: um árido, com suculentas, outro só com samambaias...
“A irrigação precisa ser bem específica, por isso o estudo prévio do local e espécies deve ser detalhado, preferencialmente, para que sejam acomodadas juntas espécies com necessidades semelhantes. A impermeabilização das paredes também deve ser avaliada”, avisa a bióloga e paisagista Teresa Mastrangelli, de Bauru.
Regiane reforça que há diferentes modos hidratar a vegetação, o que depende também do local em que está o jardim. Do regador, borrifador ou mangueira aos sistemas mais complexos, que incluem o gotejamento e a irrigação automatizada, é preciso partir de uma orientação especializada para não matar as plantas de sede nem “afogadas”.
“Lembrando que é um jardim com menos espaço para o desenvolvimento das raízes das plantas, sendo assim, é um estilo que precisará de mais atenção para regas”, alerta a paisagista de Duartina.
Para filtrar as energias
Quando foi montar a jardinagem de sua casa em um condomínio de Bauru, Maria de Lourdes Robles não teve dúvidas: optou por um jardim vertical logo na entrada, separado da sala apenas por grandes portas de vidro. “Gosto dessa integração. As plantas se dão melhor lá fora, mas dessa forma consigo vê-las aqui dentro. Deixa o ambiente todo muito mais agradável”, garante.
Além de causar ótima impressão para quem chega à residência, o jardim também cumpre a missão de filtrar o que entra no lar. “Acredito muito na energia das plantas para melhorar o clima da casa como um todo e, na entrada, elas retêm as energias negativas, protegendo a família”, afirma no mesmo tom da casa, o de paz.
Em seu jardim há pelo menos 10 variações de plantas e algumas requerem cuidados diários, dependendo da estação do ano, o que para dona Lourdes chega a ser uma vantagem. “Principalmente depois que me aposentei, cuidar e estar no jardim é uma terapia”, confessa, entregando outro benefício: “por ficar no alto, não preciso me abaixar para tratar das plantas, facilita muito!”.
Mesmo fazendo questão de cuidar do jardim, Maria de Lourdes defende que ter consultoria especializada é fundamental. Ela contou com o trabalho de Teresa Mastrangelli para avaliar o local, fazer o projeto, executar e dar manutenção. “Teria gasto mais se tivesse investido nas plantas e estruturas erradas”, avalia.
Horta vertical: saúde e sabor
Já pensou que legal colher no seu próprio jardim o manjericão, a hortelã, o alecrim, entre outros temperos e ervas bem fresquinhos? Com um jardim vertical fica ainda mais charmoso.
“Desde que a luminosidade do lugar seja compatível. O ideal seria em torno de quatro horas de sol para se cultivar alguns temperos, em ambientes arejados e com profundidade boa. Lembrando que entre três e quatro meses, provavelmente, haverá substituição ou introdução de novas mudas em função do consumo”, adianta a bióloga e paisagista Teresa Mastrangelli. Neste caso, deve-se evitar ao máximo a utilização de fertilizantes e inseticidas químicos.
Segundo a paisagista Regiane Nickel, não há necessidade de separar a horta das outras plantas. “Só temos que ter o cuidado de fazer uma ‘obra’ que se complete, lembrando que temperos crescem, mas não tanto quanto o restante das plantas que se formarão no jardim”, diz, com a intenção de prevenir que a hortinha seja encoberta e esquecida.
“A colheita dos temperos e das ervas tem que ser feita com tesouras ou facas limpas, para que elas permaneçam vistosas e robustas. Nunca deixe de retirar as folhas velhas e amareladas, verificando sempre se há algum tipo de fungo ou algo diferente nelas... O excesso de água pode acarretar o aparecimento de fungos, passando de uma para outra”, ensina Regiane.
Previna problemas
Um fator que deve ser levado em consideração é a impermeabilidade da parede ou do painel no qual será colocado o jardim vertical, já que receberá a umidade vinda das plantas. “É importante tomar esse cuidado para não danificar a estrutura da casa, e ter problemas com a umidade posteriormente. Vale fazer um trabalho de impermeabilização no local antes da construção do painel”, informa Daniela Sedo.
Xô pragas!
De acordo com a bióloga e paisagista Teresa Mastrangelli, os insetos geralmente atacam mudas geneticamente frágeis ou acomodadas em local onde a luminosidade não está compatível com a necessidade da planta.
“Quando insistimos em manter plantas em locais com falta de luz, diferente de sua necessidade, a consequência é um desgaste maior de energia tentando otimizar a fotossíntese, resultando em plantas de verde muito intenso (pernudas) e de tecido mole, atraindo insetos. Se há excesso de sol, podem ocorrer manchas provocadas pela desidratação que secam as plantas. Já os fungos aparecem quando o ambiente é muito quente, sem circulação de ar e molhamos as folhas (plantas absorvem agua pela raiz!)”, ensina Teresa.
Atenção!
“Para se ter um jardim com alguma durabilidade é necessário bastante atenção. Manutenções permanentes, incluindo irrigação e fertilização adequada”, informa Teresa.
“Quando comparado a um cultivo em vasos tradicionais ou solo, a desvantagem seria a limitação em relação a variedade de espécies que se adaptam (em função de raízes e pouco espaço), necessidade de fertilização e acompanhamento”, ensina a bióloga e paisagista.
Para obter êxito é preciso um estudo do local, escolha de espécies adequadas e a escolha do recipiente um material que permita aeração nas raízes.
A irrigação automática deve variar conforme as estações do ano, o que requer manutenção ou novos investimentos. “No Brasil ainda não temos um sistema pronto que atenda 100% das necessidades das plantas”, lamenta Teresa.
17 dicas para o jardim dos sonhos
1) A escolha das plantas certas para cada espaço dão maior durabilidade ao jardim. “Procure a ajuda de um paisagista, profissional especializado em montar esse tipo de projeto por saber a planta ideal para cada tipo de ambiente”, aconselha a designer de interiores Ana Paula Sales.
2) Se for um espaço pequeno, utilize no máximo três espécies. Ana Paula sugere: dinheiro em penca, samambaia e orquídeas. “Fica uma combinação bem elegante!”.
3) Em apartamentos fique sempre atento ao peso da estrutura que irá abrigar o jardim vertical. “A engenharia recomenda 350kg por metro quadrado. Por isso, pense no peso do vaso, da terra, da planta e na circulação das pessoas”, adverte Ana Paula.
4) Em ambientes com bastante claridade, o ideal são espécies como a samambaia, renda-portuguesa, avenca, chifre-de-veado, lambari-roxo e a columéia, todas plantas de sol.
5) Para ambientes fechados, que têm pouca incidência de sol, o ideal é utilizar espécies de sombra como a minibromélia, peixinho, repsális, véu-de-noiva e o brinco-de-princesa.
6) Os vasos de terracota, que possuem 15cm de diâmetro e 20cm de altura, são feitos em argila cozida no forno e dão um charme todo especial para os jardins verticais. “Toda a estrutura é muito fácil de ser montada, já que é feita através do plantio das espécies em vasos de terracota, que possuem um de seus lados retos, ideais para ficar presos à parede”, informa Daniela Sedo.
7) Para os painéis, uma ótima opção de vegetação bem tropical é a mini costela de adão.
8) “Em locais que ventam muito como é o caso de alguns apartamentos, é preciso redobrar a atenção, onde há muito sol a tendência é uma adaptação mais lenta”, comenta Teresa Mastrangelli.
9) Babosa é um belo exemplo de planta que se adapta bem em um jardim vertical; se a ideia é fazer uma horta caseira, salsinha, cebolinha, manjerona, entre outras, completam a lista.
10) Jiboias, zamioculcas, filodendro, singônio e samambaias são indicadas para ambientes internos.
11) Nas varandas, jiboias e samambaias também podem ir bem, assim como orquídeas, pleomeles, antúrios e dracenas baby.
12) Boas pedidas para locais externos são: pleomeles, espadinhas, aspargos, coleos, clúsias, barba de serpentes, dianelas... “Este jardim é o que tem mais opções de plantas e podemos até ousar com trepadeiras, como jasmins e dipladênias”, afirma Regiane.
13) Teresa aconselha fazer painéis que durem mais utilizando madeiras mais firmes como ipê, itauba, peroba, cumaru e as de demolição.
14) Quando a grana está curta, reaproveite caixas de frutas ou pallets, porém, saiba que a durabilidade é menor.
15) “Se for um painel em madeira, exposto ao tempo, tem que haver uma manutenção periódica, assim como qualquer outro jardim, pois pode ocorrer uma infestação de pragas, como cupins”, avisa Regiane.
16) Evite pragas e insetos adubando seu jardim, ao menos uma vez por mês: bem alimentada, a planta se torna mais resistente.
17) É a melhor forma de proteger jardins e hortas dos animais domésticos: eles não cavam na terra, prejudicando as plantações. E o mais importante: não correm o risco de mordiscar alguma planta que faça mal para eles.