A Orquestra de Viola de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) tem quase 10 anos, começou em 2006 com cinco componentes, passou para 18 integrantes em quatro anos e hoje tem 22. O regente é o maestro Gilson Sebastião, com formação de regência no Conservatório de Tatuí.
“A ideia de montar uma orquestra surgiu quando eu participei de um encontro de viola na cidade de Botucatu. Percebi que as pessoas gostam de viola e quis resgatar o instrumento caipira que estava esquecido. Nós tocamos música de raiz. A orquestra nem cogita acrescentar outros instrumentos musicais. Nossa ideia é manter o ‘status’ de orquestra de viola.”
O terceiro CD do grupo tem composições próprias de música de raiz e é vendido durante as apresentações que acontecem em toda a região. “Todas as letras e música são de nossa autoria. A nossa orquestra de viola é uma das pioneiras no Estado de São Paulo. A venda dos CDs nos rende recursos para o próximo CD. Para adquirir o CD e agendar shows, os interessados podem ligar para o maestro.”
O instrumento que estava esquecido ressurgiu em alto estilo, segundo o maestro. “O público reconhece a viola como um instrumento que dá vida ao som. Estão surgindo outras orquestras. Eu montei uma em Mineiros do Tietê. Eles já estão tocando. No dia 23 vamos iniciar uma orquestra de viola em Dourado, região de São Carlos.”
Os shows quando beneficentes não são cobrados, os demais sim, avisa Gilson Sebastião. “Com o dinheiro dos shows erguemos nossa sede e estava equipando-a. O prefeito doou um terreno e fizemos uma obra de 25 metros quadrados, onde fazemos os ensaios.”
O grupo usa uniforme para tornar as apresentações mais típicas. “Usamos chapéu, bota e camisa xadrez. Antes de cada música, um locutor conta a história do ‘nascimento’ dela, quem criou e como aquela melodia e letra foram feitas. Tocamos e cantamos música de raiz, Tonico e Tinoco, Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léo. Nosso grupo é formado de pessoas de várias profissões. Alguns nem sabiam tocar viola e aprenderam comigo. Temos marceneiros, pedreiros, montador de móveis, motoristas dentre outros,” conta.
Serviço:
Maestro Gilson Sebastião: (14) 99634- 7295
Artista da viola
Levi Ramiro é outro artesão da viola. Natural de Uru, hoje residente em Pirajuí, o violeiro tem sua trajetória marcada inicialmente pelo violão que o acompanhou nas primeiras composições e nos primeiros festivais.
A partir de 1995, adotou a viola como principal instrumento, absorvendo seu universo cultural que veio de encontro com suas raízes, motivo pelo qual ampliou sua produção musical, tanto na arte de tocar quanto na de fabricar o instrumento.
Tem composições gravadas nos CDs “Avarandado” (Ana Salvagni), “Razão da Raça Rústica” (Matuto Moderno), “Sentimento Matuto” (Júlio Santin), “Folias do Brasil” (Dércio Marques) e, agora, em “Trilha dos Coroados”.
Levi Ramiro também ministrou várias oficinas de fabricação e toque de viola pelo Brasil, principalmente pelas Delegacias Regionais da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, destacando sua oficina “Fabricação da Viola Brasileira Feita com Cabaça”.
Ao som de sua viola, Levi Ramiro propõe uma viagem pelos trilhos que marcaram a colonização da região Noroeste do Estado de São Paulo. Em um dos CDs instrumental, o músico e artesão toca inspirado em temas como a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) e o consequente matança dos indígenas kaingangs.