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Aceituno Jr. |
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Observado pelo prefeito de Jaú, Rafael Agostini, e pelo deputado Pedro Tobias, o governador discursa no Amaral Carvalho |
Durante inauguração de novas instalações do Hospital Amaral Carvalho ontem, em Jaú, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) fez duras críticas ao subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) pelo governo federal, apontando, inclusive, o aumento da taxa básica de juros do País como fator de impedimento para a majoração dos investimentos no setor.
O tucano pontuou que, só em 2015, a taxa Selic subiu em 2%, chegando a 13,75% e elevando em R$ 46 bilhões a dívida interna nacional, de R$ 2,3 trilhões. “É dinheiro que vai para os rentistas, sendo que, com R$ 18 bilhões, seria possível zerar as dívidas de todas as Santas Casas do Brasil. Governar é escolher”, disparou.
Geraldo reiterou ainda que a tabela de valores dos procedimentos pagos pelo Ministério da Saúde não foi corrigida na última década. “O que eles repassam não cobrem 40% dos custos. Por esse motivo, o Estado entra como parceiro, garantindo a manutenção dos serviços”.
Exemplo claro da situação é o do Hospital Thereza Perlartti, de Jaú, referência regional em psiquiatria. Nesta semana, o governo paulista assinou convênio para cobrir o déficit de R$ 200 mil ao mês da unidade. Cada paciente internado custa R$ 95,00 por dia, mas o SUS garante apenas R$ 45,00.
“Com uma população mais idosa e a medicina mais cara, não podemos deixar como está. Precisamos de um movimento nacional”, afirmou o governador, em entrevista coletiva.
CRISE
O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) reiterou os apontamentos de Alckmin. “Estão tirando dinheiro de gente pobre e dando para banqueiros. A Saúde vai ser um inferno até o fim desse ano”, disse, referindo-se ao corte de R$ 12 bilhões do setor no orçamento da União e à queda na arrecadação sofrida pelos Estados e municípios.
Deputado federal presente na solenidade, Lobbe Neto (PSDB) pontuou a necessidade de um novo pacto federativo para que os recursos arrecadados fiquem nos municípios e não nos cofres federais. “É nas cidades que as pessoas vivem”.
Hospital Amaral Carvalho duplica leitos de UTI
A inauguração no Hospital Amaral Carvalho (HAC) diz respeito a uma importante área que inclui o Centro Cirúrgico, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e setores de apoio. O projeto teve início em 2001 com recursos financeiros do Ministério da Saúde, mas foram paralisadas entre 2006 e 2012. A retomada foi possível a partir da liberação de R$ 11 milhões do governo do Estado e de R$ 7 milhões de emendas parlamentares. O prédio de dois andares tem uma área construída de mais de 6 mil metros quadrados.
A média da antiga UTI é de 120 pacientes atendidos por mês, com dezleitos. A capacidade será duplicada, com 20 leitos para atendimentos internos de urgência e emergência, hemodiálise e realização de transplantes de medula óssea – procedimento no qual o HAC é referência na América Latina.
Aproximadamente 1.200 procedimentos foram realizados por mês no antigo centro cirúrgico, entre cirurgias oncológicas de alta complexidade, cirurgias bariátricas e outras de menor complexidade. A capacidade também será ampliada agora na nova unidade, que conta com 12 salas cirúrgicas e 20 leitos de recuperação.
Ontem, o superintendente do hospital, Antonio Luís Cesarino de Moraes Navarro agradeceu a sensibilidade dos gestores municipais e do Estado. “Foi com a ajuda de todos que conseguimos terminar uma obra parada por 10 anos. Nossa complexidade cirúrgica é muito grande”.
O presidente do HAC, Alcindo Storti, também participou da inauguração neste sábado.
O espaço onde funcionavam esses serviços anteriormente deverá abrigar o Hospital da Mulher e a Unidade de Internação do setor Cuidados Paliativos.
EXCELÊNCIA
Durante a solenidade de inauguração, todos os políticos enalteceram a importância dos 5 mil voluntariados de 350 municípios que atuam no Hospital Amaral Carvalho.
O governador Geraldo Alckmin destacou o padrão de excelência dos trabalhos da unidade, que completa um século em 2015. “O hospital apresenta um dos melhores resultados em tratamentos oncológicos”.
O prefeito de Jaú, Rafael Agostini (PT), classificou o HAC como um “orgulho da cidade, do Estado e do País”.
Já o deputado Pedro Tobias (PSDB), médico que também atua na área de oncologia, lembrou da sua luta contra o câncer. “Essa doença tem cura. Há alguns meses, eu também fui paciente. O Amaral Carvalho presta serviço de primeiro mundo”.
Maioridade penal
Neste sábado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a se manifestar contrariamente à alteração na Constituição Federal para reduzir de 18 para 16 a maioridade penal do País. O tucano, porém, é favorável que haja mudanças na legislação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Ele defende a ampliação de três para oito anos do tempo de reclusão para adolescentes autores de crimes hediondos. “A regra atual não educa aquele jovem que mata uma, duas, três vezes”, pontua,
Alckmin também sugere a separação de internos da Fundação Casa com mais de 18 anos. “Dos 10 mil que estão em privação de liberdade, 20% estão nessa faixa. Alguns chegam a 21 anos. Não são mais crianças nem adolescentes e têm que estar em outro lugar”.