08 de julho de 2026
Geral

Documento devolvido por ladrão e até muleta esquecida em Bauru

Ana Borges
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Éder Azevedo

Objetos não são recebidos pelos Correios

Conhecido no Estado de São Paulo pela agilidade na emissão de documentos, o Poupatempo também tornou-se referência para a entrega de certidões e atestados oficiais perdidos pela cidade. Objetos encontrados dentro ou fora do posto de atendimento também são deixados no local. Até mesmo por ladrão.

Há algumas semanas, por exemplo, um homem que havia levado roupas e a carteira de um embalador que trabalhava nas imediações, ficou com as vestes e o dinheiro da vítima. Porém, o ladrão deixou o resto do material no banheiro do Poupatempo.

Alívio para Eliseu de Oliveira, que poderia ser obrigado a tirar segunda via de todos os seus documentos (leia mais abaixo). “Imediatamente, ligamos para o dono que nos informou que havia sido roubado próximo dali”,  conta a administradora do Poupatempo, Nádia Bicarato

O fato ocorreu pouco antes de a reportagem do JC chegar. De acordo com ela, diariamente, passam pelo prédio do Poupatempo em Bauru, uma média de 9 mil pessoas. Muitas delas esquecem outros documentos e até objetos pessoais dos mais variados.

Nádia Bicarato, do Poupatempo, mostra o par de muletas ‘esquecida’ no órgão

Liderança

Mas tanto no Poupatempo quanto nos Correios quem lidera o ranking dos mais esquecidos ou devolvidos é o documento de identidade (RG), seguido pelo CPF e CNH.

Além de documentos e objetos, sobram também histórias inusitadas na sessão de achados e perdidos.

“Na semana passada, o novo item que veio para a sessão e chamou a atenção foi um par de muletas. Não consigo imaginar como a pessoa conseguiu ir embora sem perceber que estava sem elas. Óculos e até dentadura são mais comuns aqui na sessão”, conta a administradora.

Segundo ela, o prazo para que o dono retire no Poupatempo tanto documentos pessoais quanto objetos é de 90 dias. Transcorrido o período, os documentos são encaminhados aos Correios, enquanto os objetos são doados às entidades sociais.


‘Tive sorte’, diz vítima que teve os documentos devolvidos após furto

Embora um ‘nóia’ tenha levado cerca de R$ 200,00, suas roupas e chaves, o embalador Eliseu de Oliveira, 26 anos, diz ter tido sorte. O prejuízo dele poderia ter sido muito maior, caso o ladrão não tivesse deixado sua carteira no Poupatempo de Bauru.

“Daria trabalho tirar a segunda via de tudo. Ele deixou a carteira com os cartões e senhas”, comenta a vítima. O alívio foi ainda maior porque ele, por pouco, não sacara as férias. Justamente por conta do período de descanso, assumiu um ‘bico’ de pintor, nas imediações do órgão público.

Era por volta das 10h quando, sobre um andaime, ele passava fita em uma janela e notou um homem com blusa preta de listras vermelhas pegar suas roupas, carteira, chaves do carro, da casa e o controle do portão do imóvel onde trabalhava.

“Desci e liguei para o dono (do prédio onde trabalhava). Depois para o meu pai. Foi ele quem recebeu a ligação do Poupatempo porque tinha um cartão dele na minha carteira”, explica Eliseu. Além de chamar a polícia, o embalador precisou voltar para a casa para pegar a chave reserva do veículo, transtornos que lhe custaram o dia de trabalho. “Mas o prejuízo poderia ser bem pior”, conclui.


Muitos perdem e poucos procuram

Segundo o gerente da agência central dos Correios de Bauru, Maurício Claro, o número de pessoas que perdem ou esquecem os documentos não para de aumentar, porém, os que vão procurá-los ainda são poucos frente à demanda de recebimentos.

Somente de janeiro a maio de 2015, já foram entregues 1.079 documentos nas agências dos Correios, em Bauru. Portanto, a média é de 237 por mês. Já o número de pessoas que perdem os documentos e vão procurá-los nas agências dos Correios não passa de 17 pessoas por mês.

Justamente pelo volume, as agências se limitam a receber documentos pessoais. Não recebem, por exemplo, objetos perdidos como acontece no Poupatempo. Nos Correios, os documentos são guardados por até 60 dias, depois são encaminhados para os órgãos emissores.

Só neste ano, já foram devolvidos aos órgãos emissores pelo menos 735, já que os donos não procuraram as agências para retirá-los. “Há dias que abrimos aqui na segunda-feira e muitas pessoas deixam até debaixo da porta ou colocam nas caixas de correio. Os carteiros nos trazem. Até porque somos referência nesse tipo de trabalho. Mas só recebemos documentos. Já tentaram deixar aqui uma prótese dentária, mas não recebemos”, reitera o gerente.

Pesquisa

Um morador de Bauru, durante uma viagem, perdeu o documento de identidade e o procurou nos Correios. O órgão conseguiu acionar a agência do Rio de Janeiro, onde foi encontrado e devolvido. O serviço de pesquisa em todo o País está disponível a qualquer interessado mediante o pagamento de R$ 4,75, valor cobrado para seu envio. No entanto, a taxa é liberada, caso a pessoa comprove não ter condições de arcar com os custos do despacho.

O serviço de Achados e Perdidos dos Correios surgiu no 1 de outubro de 1981 e foi implantado com o intuito de encurtar o tempo e reduzir a busca por documentos perdidos, além de tornar-se facilitador nesta busca.