10 de julho de 2026
Polícia

"Eles davam tapas no rosto dela e pediam o dinheiro e as joias"

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

“Achei que era brincadeira. Só acreditei que era um assalto de verdade quando olhei para a expressão de desespero no rosto dos funcionários”, lembra o pedreiro José Barbosa de Castro, 60 anos, sobre os minutos de terror que passou nas mãos de bandidos, um deles armado com uma pistola. O roubo ocorreu contra uma empresa despachante, localizada na rua José Ranieri, próximo ao início da avenida Cruzeiro do Sul, na tarde de ontem, em Bauru.

 

Além dele, que era o único cliente no local naquele momento, outras quatro pessoas, todas da mesma família, foram vítimas do assalto, que ocorreu por volta 15h e terminou com Deivid Evandro da Silva, 28 anos, preso e um menor de 17 anos apreendido – a identidade dele não será revelada em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

 

A prisão em flagrante ocorreu após a Polícia Militar ser acionada por vizinhos do estabelecimento, que perceberam a movimentação.

 

Ambos já possuíam passagens pela polícia: Deivid por tentativa de homicídio e o adolescente, ato infracional por tráfico. O maior, inclusive, teria confessado aos policiais ter cometido outro roubo na cidade, na última semana, a um açougue localizado na região do Jardim Carolina. 

 

Violência

 

A ação criminosa durou cerca de 15 minutos. Uma das vítimas, de 33 anos, foi agredida pelos criminosos com tapas no rosto. “Eles batiam nela pedindo para dizer onde estava o dinheiro e as joias”, comenta José. “Mandaram a gente ficar no chão, e um deles ficou com o pé nas minhas costas. Pegaram minha carteira, meu celular, o dinheiro que tinha no caixa e com as outras pessoas. Também vasculharam a casa que fica ao lado do despachante”, detalha a vítima, que efetuava a transferência de seu carro na hora em que o crime ocorreu.

 

“Eles já entraram fechando as portas, mandando deitarmos no chão e dizendo que era assalto”, lembra José, ainda traumatizado com o primeiro assalto de sua vida. 

 

Com a arma apontada para o pedreiro e para os outros três funcionários, todos da mesma família, Deivid seguiu para a casa ao lado do estabelecimento, onde iniciou as agressões à vítima de 33 anos.Ao todo, três anéis de ouro e cerca de R$ 1.110,00 foram recolhidos pelos bandidos no local.

 

Prisão e ‘alívio’

 

Mas o que os bandidos não esperavam é que vizinhos teriam reparado na movimentação estranha do estabelecimento, que estava de portas fechadas em pleno horário comercial. Acionada, a polícia chegou minutos depois e conseguiu surpreender o menor na presença das vítimas, deitadas ao chão em uma sala no interior do despachante.

 

Já Deivid tentou fugir pulando um dos muros da casa, mas também acabou detido. “Eu estava deitado rezando para não atirarem em ninguém e escutei alguém abrindo a porta e falando ‘acabou, acabou’. Cheguei até a pensar que eram mais bandidos. Quando vi que era a polícia senti um alívio imenso”, afirma o pedreiro.  

 

Ambos os acusados foram levados para a Central de Polícia Judiciária (CPJ). A suposta confissão de Deivid sobre sua participação no roubo do açougue na semana passada será apurada.