Em reunião realizada na manhã de ontem com a Polícia Militar (PM), donos de postos e o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), foi decidido que um grupo de WhatsApp será criado para tentar coibir os atos dos criminosos e ajudar os policiais a identificar os autores. No último trimestre, Bauru registrou 16 assaltos a postos de combustíveis, onze deles ocorreram no horário das 18h às 0h.
|
Malavolta Jr. |
|
|
|
Reunião foi realizada no Batalhão da PM após a onda de crimes: foram 12 roubos em nove dias |
Apesar das estatísticas levantadas, os números tendem a ser ainda maiores, segundo informações do diretor do sidicato, Edvaldo Abílio Tuschi. “Grande parte dos proprietários não tem registrado mais o crime, tanto com medo de represália dos próprios bandidos como também por causa da demora para fazer o registro. A insegurança e a burocracia têm feito eles desistirem. Essa reunião foi muito satisfatória, para unir forças”.
A reunião foi articulada pelo vereador Markinho da Diversidade (PMDB) após o JC noticiar a escalada crescente de assaltos a postos na cidade. Foram nove casos em 12 dias.
O grupo no WhatsApp será criado ainda nesta semana pelo Sincopetro de Bauru. O presidente da entidade adicionará somente proprietários de postos de combustíveis de maneira sigilosa.
As vítimas do roubo irão postar informações assim que o fato ocorrer e os outros postos próximos ficarão de sobreaviso e poderão ajudar com informações complementares de suspeitos para ajudar a polícia. As regras ainda serão delineadas nesta semana para que os números dos contatos não sejam divulgados e para garantir a eficácia do grupo.
Porém, o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, ressalva que grupo não irá substituir o serviço de emergência. A ideia é, que após acionar o 190, as vítimas façam a comunicação no aplicativo com características dos autores, descrição da ação e todos outros elementos, inclusive vídeos, que possam ajudar na captura dos autores.
Medo
Cássia Regina Osti, empresária no ramo há cinco anos, conta que tem um posto de combustíveis na zona sul da cidade e já foi alvo dos criminosos pelo menos cinco vezes. “Eu já desisti de registrar queixas. Em uma das vezes, os policiais prenderam o acusado. No dia da audiência, estávamos no fórum o frentista e eu, diante da família do suposto bandido. Ficamos receosos. Nem se tivéssemos reconhecido ele, seria difícil, porque nos sentimos coagidos diante da situação”, relata.
Próximo passo
Segundo o vereador Markinho da Diversidade, o primeiro passo foi dado. “Acredito que essa reunião foi muito importante para entendermos as dificuldades de todos e juntos nos unirmos. A sociedade não pode ser passiva de toda essa criminalidade. Precisamos somar esforços seja na esfera estadual ou até federal para lutar por mudanças”, complementou o parlamentar.
Ainda de acordo com o vereador, o próximo passo será marcar uma reunião similar com a Polícia Civil a respeito desta onda de assaltos a postos. O parlamentar também fala em abrir um diálogo sobre a possibilidade do boletim de ocorrência unificado, um projeto que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo desde o ano passado.
Altura das câmeras
Segundo o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, a maioria dos postos de combustíveis assaltados tinham câmeras de segurança. Porém, grande parte delas não contribuiu com o trabalho da Polícia Militar (PM) porque são instaladas de maneira errada ou não são de alta resolução.
“O ideal é que sejam instaladas em um local escondido, na altura de 1,60 a 1,70 metro para filmar parte do rosto do autor. Por mais que o ladrão use boné ou capuz, conseguimos identificar alguma característica. Mas a maioria é instalada no alto e não dá para visualizar nada do rosto do bandido”, explica.
Polícia Civil liga presos a três assaltos recentes
Os dois acusados presos no último dia 4 pelo assalto a um posto localizado na Vila Industrial foram ligados, após investigações da Polícia Civil, a outros dois crimes a esse tipo de estabelecimento.
Conforme noticiado pelo Jornal da Cidade, Ewerton Bruno Leite Cardoso, 24 anos, e Jonathan da Silva Camarões, de 18, foram presos pela PM após denúncia anônima. Detidos, eles teriam confessado o assalto a um posto na rua Pastor Eduardo Alves Leite, na Vila Industrial, ocorrido no dia 31 do mês passado.
Após a prisão, a Polícia Civil se debruçou sobre o caso e conseguiu ligar a dupla a outros dois crimes ocorridos no mesmo dia.
De acordo com o delegado Kleber Granja, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Ewerton e Jonathan também efetuaram os assaltos no posto localizado na Ezequiel Ramos, Vila Antartica, e também no da Antônio Alves, Altos da Cidade.
“Em diligências, policiais civis da DIG formalizaram oito procedimentos de reconhecimento fotográfico dos investigados com as vítimas, dos objetos recuperados e também do revólver usado. As diligências resultaram positivas para o esclarecimento das autorias dos três roubos”, aponta.
O inquérito policial foi concluído e foi pedida a manutenção da prisão preventida, já anteriormente decretada pela Justiça.
MAIS CRIMES
A Polícia Civil continuará as investigações, uma vez que não descarta a participação da dupla em outros crimes recentes em postos de Bauru. O mesmo será feito pela DIG com os outros acusados presos pela PM no final da semana passada.