|
Éder Azevedo |
|
|
|
Produção de café da região caiu de 2 milhões para 1 milhão de sacas, nos últimos dez anos |
“O café está saindo aos poucos do Estado de São Paulo e da nossa região, temos que mudar isso com políticas que incentivem o cultivo”. A avaliação com tom de comprometimento é feita por Maurício Lima Verde, que assumiu nesta semana à frente de mais uma entidade de proteção à cultura cafeeira e agricultura no Estado.
Maurício, que já é conhecido por sua trajetória como presidente do Sindicato Rural de Bauru, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), vice-presidente da Comissão Nacional do Café em Brasília e representante do Brasil na Organização Internacional do Café (OIC) em Londres, assume agora a presidência da Comissão Especial do Café no Estado de São Paulo, fundada na última quarta-feira. E a missão principal da entidade, segundo ele, é justamente criar políticas para reverter a situação cadente da cultura tanto no Estado quanto na região.
“A produção está diminuindo em todo o País. Em São Paulo, assim como na região, caiu pela metade. Das 7 milhões de sacas produzidas no Estado, a região de Bauru, que vai de São Manoel a Tupã, produzia 2 milhões de sacas”, comenta Lima. “Nos últimos dez anos, o eucalipto e a cana-de-açúcar tomaram conta. Hoje, a produção de café de São Paulo é de 3 milhões de sacas e a produção da região de Bauru caiu para 1 milhão”, completa Lima.
Cadência
Ainda de acordo com o atual presidente da Comissão Especial do Café no Estado de São Paulo, a expectativa para este ano é de que o País colha ao menos 43 milhões de sacas. No ano passado, a produção no Brasil atingiu 46 milhões de sacas.
Atualmente, o setor emprega até 15 milhões de pessoas indiretamente e o consumo interno do País é de aproximadamente 20 milhões de sacas - cada saca é composta por 60 quilos, que são comercializadas, hoje, na região, cada uma a R$ 310,00. No Estado, o valor é médio é de R$ 340,00.
Apesar da diminuição na produção, que estaria cadente há cinco anos, o Brasil continua sendo o maior produtor de café do mundo e o segundo maior consumidor do produto, perdendo apenas para os Estados Unidos.
O Estado de São Paulo é o terceiro maior produtor no País. O primeiro é Minas Gerais, e o segundo o Espírito Santo. “Somos um dos setores com mais dinheiro em caixa para investir, mas, mesmo assim, o café está saindo de São Paulo. Por isso, nossa missão é estimular a cafeicultura e não deixar que o cafeicultor troque sua atividade”, frisa Lima Verde.
Estímulo
Nesse sentido, ele cita algumas ações do Sindicato Rural de Bauru, em parceria com a prefeitura e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que tem estimulado o fortalecimento da agricultura familiar.
“O perfil do produtor rural também mudou ao longo dos anos. Hoje, com cem pés, a pessoa já se torna cafeicultor”, detalha Lima Verde.
Segundo Maurício Lima Verde, a região de Bauru possui cerca de 5 mil cafeicultores, mas “nem 10% são considerados grandes produtores, ou seja, aqueles que possuem mais de 200 hectares de produção desta cultura”.