O que tem de data sem cabimento instituída por aí... Mas algumas, de aparência esdrúxula, até que podem levar à reflexão. Quer um exemplo? Hoje, 21 de junho, é o Dia Internacional do... Aperto de Mão. Aperto de mão, meu irmão? Quem foi o cara que pensou nisso? Tem até um blog que cataloga o "aperto de mão quanto à força"!
Quando o ser humano quer detalhar algo, vai fundo mesmo. Mas não devemos nos perder nas esquisitices ou exageros. O aperto de mão tem sua relevância histórica. Durante a semana, foi um aperto de mão entre descendentes de chefes de guerra europeus (no passado, inimigos de sangue nos olhos) que marcou o aniversário de 200 anos da Batalha de Waterloo - com definitiva derrota do imperador Napoleão e seu exército francês para forças britânicas e prussianas.
Quem diria que aquele 18 de junho de 1815, com seus quase 50 mil mortos por poder e território na cidadinha belga, viraria aperto de mãos entre Jean-Christophe Napoleão Bonaparte e Arthur Wellesley, filho do atual Duque de Wellington, em 18 de junho de 2015. Sem tiro ou sangue. Agora mesmo, em abril, o mundo parece ter tido um novo sonho de paz ao ver o aperto de mãos entre Raúl Castro e Barack Obama na primeira participação cubana na Cúpula das Américas.
Mas o que demonstra a real importância do aperto de mão é exatamente o seu contrário. Poucos gestos podem ser tão desconcertantes quanto estender a mão a alguém e não ser correspondido. A atriz Anne Hathaway teria negado aperto de mão ao jornalista argentino Alexie Puig em 2014, nos Estados Unidos. Medo (infundado) de ebola.
Há muitos outros episódios do tipo, que geram forte constrangimento alheio. O que só faz crescer a relevância de uma data tão maluca como Dia Internacional do Aperto de Mão. Talvez, enfim, seja o único aperto que faz distender, no sentido de relaxar, as relações.
E para não perder a chance, de minha parte, sinta-se você com a mão calorosamente apertada. Em singelo agradecimento a renovar esse laço distante entre nós, mas também tão íntimo. Que continuemos a ler e a escrever sempre, apesar do tempo, assim, cada vez mais apertado.
O autor é editor executivo do JC