09 de julho de 2026
Nacional

Decisão do STF dá estímulo a senadores 'infiéis'

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar os senadores para mudarem de partido sem perder o mandato abriu uma intensa temporada de negociações entre legendas e políticos em busca de novas legendas. As conversas podem culminar em uma mudança substancial na correlação de forças do Senado.

 

Agência Senado/Divulgação

Um levantamento feito pela reportagem mostra que pelo menos 12 dos 81 parlamentares estão "negociando o passe" com outras siglas

Um levantamento feito pela reportagem mostra que pelo menos 12 dos 81 parlamentares estão "negociando o passe" com outras siglas.

 

A maioria deles, porém, prefere não tratar abertamente do tema para evitar retaliações dos atuais partidos, como a retirada de cargos em comissões da Casa. O principal afetado seria o PT, que passa por uma crise interna em razão do que pode ser considerado a tempestade perfeita: além da Operação Lava Jato, que atingiu quadros petistas, o incômodo cresceu com o impopular pacote de ajuste fiscal assinado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Cinco senadores da sigla estão na mira de outros partidos. O principal destino deve ser o PSB.

 

Mas a primeira mudança "oficial" foi a da senadora tucana Lúcia Vânia (GO), que anunciou sua desfiliação do PSDB, partido ao qual estava filiada há 20 anos. O destino mais provável é o PSB.

 

Um senador conta, em caráter reservado, que o Palácio do Planalto entrou em campo para evitar uma debandada e conseguiu pelo menos adiar o processo. Entre os poucos que falam abertamente sobre o assunto está o petista Paulo Paim (RS). "Decidirei para onde vou até o fim do ano. Tenho dialogado com muita gente", diz. O senador conta que um grupo de colegas de várias legendas tem se reunido regularmente para debater a mudança e a possibilidade de uma saída em bloco. 

 

"Existem uns dez senadores discutindo mudar de partido. O que é mais determinante é a situação deles nos Estados", conta o senador Cristovam Buarque (PDT-RS). Apesar de dizer que foi procurado com propostas para deixar a legenda trabalhista, ele descarta a ideia, pelo menos por ora. 

 

Assédio

 

No fim de maio, por maioria de votos, os ministros do Supremo concluíram que os mandatos dos senadores pertencem à pessoa eleita e não ao partido. Uma das agremiações que tenta surfar na brecha para a troca partidária é o pequeno PPL - Partido Pátria Livre. Vários senadores relataram que foram procurados por interlocutores da legenda nanica. Nascido da costela do grupo MR8, que era ligado ao ex-governador paulista Orestes Quércia, o PPL não conta com nenhum deputado federal. Tem, portanto, pouco tempo de TV e parcos recursos do Fundo Partidário.

 

Mesmo assim, os emissários do partido dizem que estão dispostos a "refundá-lo" tendo como base e inspiração o Podemos, da Espanha. O senador Walter Pinheiro (PT-BA) foi um dos sondados. Ele conta que recebeu a visita de um ex-deputado. "Tomamos um café e ele me ofereceu para presidir o diretório da Bahia", disse.

 

O senador baiano declinou o convite porque, segundo ele, bate de frente com propostas que apresentou durante a discussão da reforma política. Pinheiro disse que a possibilidade de mudança de partido está descartada, ao menos até 2016. 

 

"Estão vendo o PPL como uma possibilidade, mas não cogitamos fazer uma refundação", disse Miguel Manso, secretário de organização da legenda. Manso afirma que os senadores que aderirem à sigla "sem dúvida" terão participação na direção.