Para evitar que a lagoa de chorume do aterro sanitário de Bauru transborde, o líquido decorrente do lixo será acondicionado em tanques subterrâneos de combustíveis que estavam fora do padrão e foram obtidos pela Diretoria de Limpeza da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). A solução paliativa foi informada ontem pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), segundo quem está descartada a possibilidade de derramamento de chorume no local, a partir de agora.
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Quioshi Goto |
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Tanques subterrâneos de combustível que estavam fora do padrão foram cedidos para a Emdurb para armazenar o chorume |
De acordo com ele, a alternativa adotada no último final de semana será mantida até que seja concluída a licitação para contratar empresa que retire, transporte e faça a disposição final de 2.500 metros cúbicos de percolados gerados pelo aterro. A abertura da sessão será no dia 3 do próximo mês. “Foi tomada essa decisão para que a gente não tivesse nenhum risco para o meio ambiente com o transbordamento. Temos capacidade de reservar 120 mil litros de chorume”, explica o chefe do Executivo.
O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, informa que foram cedidos quatro tanques, com trinta mil litros cada um, encaminhados ao aterro sanitário na tarde da última sexta-feira.
Eles permanecerão no local. Bombas de sucção com mangueiras serão responsáveis por transferir os chorume para os novos reservatórios.
Fora de Bauru no final de semana, ao chegar à cidade no final da tarde de ontem, o presidente da Emdurb checaria se o transbordo já havia sido iniciado. Para que a iniciativa fosse adotada, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foi consultada, acrescenta.
Dificuldades
“Os métodos de operação do aterro mudaram muito rapidamente neste ano. Com a melhora na drenagem, aumentou muito o volume do líquido”, ressalta Nico. Ele espera que, até setembro, o aterro sanitário já conte com uma terceira lagoa. Até o final desta semana, ele espera encaminhar à Cetesb o projeto para a instalação dela. Para tanto, fará ajustes no projeto utilizado na ocasião da aprovação da segunda lagoa.
A nova lagoa será implementada com a mesma manta geotêxtil já adquirida, que será utilizada na ampliação do aterro sanitário. Resta à Emdurb contratar a empresa responsável pela mão de obra dos dois serviços. O processo de licitação será reaberto, já que da primeira vez as concorrentes não entregaram documentos relativos à capacidade técnica.
Simultaneamente, a Emdurb procurará o Departamento de Água e Esgoto (DAE) para discutir a possibilidade de usar caminhões limpa-fossa para remover o chorume dos tanques, caso, eventualmente, haja algum atraso no processo de licitação que definirá a empresa vencedora para dar destino correto ao líquido do aterro.
O DAE também poderá colaborar com informações sobre as estações de tratamento de esgoto capazes de receber o material, prossegue Nico.
Comissão de obras da Câmara quer informações do prefeito
Durante a sessão legislativa de hoje, a Comissão de Obras da Câmara protocolizará requerimento questionando o Executivo sobre vários aspectos do aterro sanitário e sua lagoa de chorume, que correu risco de transbordar. A informação é do líder da oposição vereador Arildo Lima Júnior (PSDB) que, junto com colegas, vistoriou o local, na companhia do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), na última sexta-feira.
Na mesma data, ele também questionou o valor pago pela Emdurb à empresa Monte Azul que, por quase três anos, fez a retirada e a destinação final do chorume da lagoa do aterro sanitário de Bauru. A diferença em relação ao preço praticado na região chega a 125%, informa o parlamentar.
“Como assim? Precisamos fazer questionamentos. Vou chamar a responsabilidade de quem faz a gestão do lixo, ou seja, do governo municipal. O que está acontecendo com essa administração? Cada dia tem uma bomba. Vamos pedir o contrato, o objeto do contrato, como aconteceu a licitação”, comenta.
Lima também quer saber com base em quais empresas o valor médio foi tirado, a razão de não terem previsto o fim do contrato com a Monte Azul e os planos para o local. Para checar ao Executivo, o pedido precisará ser lido na sessão de hoje, caberá o plenário deliberá-lo e a presidência da Casa fazer seu encaminhamento.
Pauta
A iniciativa demonstra que o assunto deverá balizar a sessão de hoje, comenta o vereador Sandro Bussola (PT), que preside a Comissão de Obras. Até porque a pauta não conta com projetos muito polêmicos. “Ficou bem claro na visita que não há uma interação entre as secretarias. Vamos questionar a inércia da Emdurb. O governo precisa ter um plano A e um plano B já em andamento. Por exemplo, tem que começar a fazer uma nova lagoa de contenção”, afirma o petista.
O vereador Moisés Rossi (PPS) também questiona a alegação de que a melhora na drenagem foi responsável pela problema do chorume por ter aumentado muito o volume do líquido no aterro. “Eles são técnicos. Precisam saber, prever, não podem ser surpreendidos. Aqui em Bauru, as coisas estão prestes a acontecer e ninguém faz nada. É absurdo. Temos a obrigação de cobrar o poder público. O duro é que a gente briga, cobra, esperneia e nada”, diz.
Prevendo acirradas cobranças, o líder do prefeito na Câmara, Markinho da Diversidade (PMDB), deverá procurar não apenas o chefe do Executivo, como também o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, na manhã de hoje. O objetivo é reiterar com firmeza e desenvoltura as iniciativas que vêm sendo apontadas por ambos.
Prorrogação
O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, informa que contava com a prorrogação do contrato com a empresa Monte Azul. Por quase três anos, ela fez a retirada e destinação final do chorume da lagoa do aterro sanitário de Bauru. Mas o preço cobrado pela empresa de Araçatuba tem sido questionado pelo líder da oposição na Câmara, vereador Arildo Lima Júnior (PSDB), segundo quem a diferença em relação ao valor praticado na região chega a 125%.
“O parecer do Departamento Jurídico foi contra (à prorrogação do contrato). Alertou que poderíamos cair em alguma ilegalidade. Além disso, há limites de velocidade para um órgão público. É tudo mais lento”, comenta. Além disso, Nico acrescenta que, antes de tomar qualquer decisão, conversa com diretores das áreas técnica, administrativa e financeira. “Além dos métodos de operação do aterro terem mudado muito rapidamente em 2015, é um ano mais complicado por conta das restrições orçamentárias. Tenho que pensar muito bem no que vou fazer. Estou preocupado (com a saúde financeira da Emdurb). Estou realocando recursos para investir no aterro”, conclui o presidente da Emdurb.