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A ousadia dos criminosos parece não ter fim. Cinco homens com as “caras limpas” assaltaram a loja My Store, revendedora de produtos da Apple, localizada no terceiro piso do Bauru Shopping, em plena manhã de ontem, quando o centro de compras já funcionava. Além de R$ 1.500,00 em dinheiro que estavam no caixa, eles levaram o estoque de celulares, tablets e equipamentos eletrônicos do local, avaliado em aproximadamente R$ 300 mil. O bando já teria cometido o mesmo crime em outras cidades recentemente (leia mais abaixo).
Em ação discreta, os bandidos se passaram por clientes e, mencionando estarem armados, renderam e amarraram três funcionárias da loja no depósito enquanto recolhiam os produtos. Ninguém se feriu.
“Foi horrível. Cheguei a pensar que eles iam matar a gente”, relatou uma das vítimas, que pediu para ter a identidade preservada.
A ação ocorreu por volta das 10h50 e teria durado menos de dez minutos. Os ladrões fugiram com a mercadoria em duas mochilas e duas malas pretas sem serem notados. A Polícia Militar só foi acionada depois que as vítimas, que permaneceram imobilizadas na sala de estoque, perceberam que os bandidos saíram do local, cerca de dez minutos depois de o roubo ocorrer.
A ação
Visivelmente abalada, uma das vítimas conversou com o JC logo após o episódio. A auxiliar de limpeza, de 24 anos, que pediu para não ser identificada, contou que foi abordada na cozinha da loja. “Estava mexendo no meu celular e vi quando dois homens entraram. Pensei que eram da visita técnica, mas aí um deles me mandou subir para a sala de estoque, que fica no andar de cima”, disse.
Ela e outra funcionária, que exerce a função de caixa, foram levadas até a área de estoque e tiveram as mãos amarradas com braçadeiras plásticas. “Eles falaram que não iriam fazer nada com a gente e que queriam apenas as mercadorias da loja. Deram a entender que estavam armados, mas não vimos armas com eles. Porém, não reagimos com medo de estarem mesmo com armas”, contou.
A auxiliar de limpeza disse ainda que, enquanto dois homens se dividiram para recolher os produtos na sala em que ela e a funcionária estavam, outros três permaneceram na área de venda da loja junto com a outra vítima, uma vendedora, simulando serem fregueses.
“Depois, trouxeram ela para o depósito e a amarraram com a gente. Fecharam a porta e, antes de saírem, disseram para ficarmos quietas. Não descemos por medo de estarem ainda na loja. Foi quando, após uns 10 minutos, bateram na porta dizendo que era um cliente. Saímos na hora para pedir socorro em outras lojas”, relatou, ainda assustada.
Após o roubo, o bando teria saído tranquilamente do local e fugido em dois carros de cor clara, estacionados fora do shopping.
Por toda a manhã, a PM realizou buscas, mas ninguém foi preso. “Fomos acionados bem depois do roubo, isso impossibilitou qualquer tipo de cerco e facilitou a fuga”, afirma o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I).
Monitoramento 24h
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Bauru Shopping informou que a segurança sempre foi prioridade da administração, o que possibilitou que a equipe atendesse prontamente a ocorrência em uma de suas lojas de tecnologia na manhã desta segunda-feira.
Ontem, alguns lojistas procuraram o JC para reclamar da segurança do local. O centro comercial afirmou, contudo, que dispõe de um moderno sistema de vigilância e monitoramento 24h “para garantir a segurança de seus clientes”.
“Todo o apoio necessário foi dado à polícia para ajudar nas investigações do caso. Os profissionais de segurança que atendem o Bauru Shopping têm longa experiência na área e recebem treinamento constantemente”, diz o shopping, em nota.
O JC também conversou com a gerente da loja em questão na tarde de ontem, que informou que o estabelecimento não iria se pronunciar oficialmente sobre o caso. A assessoria de imprensa da Apple foi contatada, mas nenhum posicionamento foi enviado até o fechamento desta edição.
Quadrilha especializada já teria agido em outros municípios
A ousadia dos assaltantes, que não usavam máscaras ou mesmo toucas para esconder o rosto é o que mais chamou a atenção da polícia. O fato de os bandidos também não terem mostrado armas para nenhuma das vítimas em qualquer momento também.
“O roubo foi registrado com base na grave ameaça que houve. O curioso é que eles levaram apenas os celulares top de linha”, comenta o delegado Mario Henrique Ramos, plantonista responsável pelo registro da ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ). “É possível que este grupo seja formado por pessoas com várias passagens criminais, pela tranquilidade que apresentaram e por não terem se preocupado em tapar o rosto”, completa Ramos.
Até o final da tarde de ontem, a polícia aguardava o proprietário da loja na delegacia para contabilizar o prejuízo, oficialmente, e para bloquear os aparelhos levados por meio do Imei.
A informação a respeito da quadrilha já havia sido confirmada pela Polícia Militar durante a manhã, depois que a gerência do empreendimento assistiu à gravação e reconheceu o grupo como sendo uma quadrilha especializada, que já teria agido em outras cidades do Estado.
“Ao menos duas lojas da Apple, uma em Piracicaba e outra em Campinas, foram alvos do mesmo bando, recentemente. O gerente comparou as fotos de arquivo que a rede possui com as imagens de hoje (ontem) e constatou que são os mesmos ladrões dos outros assaltos” detalhou o tenente da PM Lucas Freitas.
O fato, no entanto, ainda será alvo de investigação pela Polícia Civil de Bauru. Por enquanto, nenhuma hipótese é descartada, aventa-se inclusive a possibilidade de que os assaltantes possuíam informações privilegiadas sobre o estabelecimento.
Na tarde de ontem, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) enviou uma equipe ao local para colher pistas, depoimentos e imagens de câmeras nas imediações do shopping.
“Podemos estar à frente de uma quadrilha especializada e que, inclusive, deve possuir tecnologia capaz de resetar aparelhos com Imei bloqueado”, acrescenta o delegado Kléber Granja, responsável pelo inquérito.
Serviço
Informações, pistas ou suspeitas dos assaltantes devem ser comunicadas à Polícia Civil pelo (14) 3235-6500, (14) 3235-6627 ou pelo Disque 100, com garantia de anonimato.
A Polícia Militar também recebe denúncias por meio do telefone 190.
Veja momento em que vítimas são amarradas no estoque da loja