09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

?Alguém precisa fazer alguma coisa?


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Sempre é bom tomar cuidado quando a situação está preta e lhe dizem "alguém precisa fazer alguma coisa" a respeito. É sinal de que não existe a menor ideia sobre o que deve ser feito, nem vontade real de resolver problema algum.

"Alguém" quer dizer "ninguém" e "alguma coisa" quer dizer "nada". Ou seja: vai continuar tudo igual, e quem cobrou ação imediata, corajosa e eficiente dos "responsáveis" não se considera responsável por coisa nenhuma, dispensa-se da obrigação de oferecer qualquer sugestão útil e fica achando que fez sua parte no esforço pela vitória do bem.
Neste instante o Tesouro da República está no bico do corvo, o governo gasta muito mais do que tem - e diante da bancarrota anunciada, a única coisa que pode realmente fazer, e tem de fazer já, é gastar menos. Mas o partido que está no governo é contra, não aceita a redução de despesas, que considera uma atitude "de direita", então - como é que fica ? "Alguém precisa fazer alguma coisa", diz o PT. Fazer o quê? Criar um imposto sobre grandes fortunas, eis aí uma ideia perfeita em matéria de sugerir o nada.
Em primeiro lugar, o PT, em doze anos e meio de governo, não apresentou um único projeto para taxar fortunas, o PT sabe muito bem, além disso, que não há o menor risco de que o novo imposto se transforme em realidade no futuro, a ser aprovado pelo Congresso e que não existe no momento sequer um pedaço de papel a ser discutido. A única realidade, em toda essa história, é a demagogia em estado puro de proposta - ao dizer que vai tirar só dos ricos, e não de todos, o dinheiro necessário para acabar com o rombo.
A proposta do imposto sobre fortunas é um monumento na arte de vender ilusões, no caso do Brasil de hoje está na cara que o maior causador de despesas é o pagamento dos juros da dívida pública que só existe porque o governo gasta demais - em 2015 o Tesouro Nacional vai torrar 75 bilhões de reais com isso.

O diabo não são os ricos, é a dívida - por sinal, ela só beneficia os ricos, que têm dinheiro de sobra para emprestar ao governo. Mas aqui se considera que gasto público é avanço social: cortar despesas é proibido. Os ricos agradecem.

É certo que um imposto sobre fortunas, por mais agressivo que seus autores o imaginem, seria absolutamente incapaz de gerar dinheiro suficiente para ajudar na solução da despesa pública. E o governo continua gritando "alguém precisa fazer alguma coisa". E não adianta petistas abandonarem o barco agora e esconderem-se em outros partidos, já estão marcados. É o fim.

Antonio Carlos Azevedo dos Santos