10 de julho de 2026
Articulistas

Unesp: 40 para trás, 40 para frente

Valdemir Pires
| Tempo de leitura: 2 min

No dia 30 de janeiro de 2016 a Unesp completa 40 anos. Lançado para trás, o olhar recolhe dessa história muitos louros, muitas conquistas, avanços acadêmicos incríveis para tão pouco tempo. Se hoje a colheita se mede em graus crescentes de internacionalização e em volumes acelerados de produção científica reconhecida e citada, de egressos em todos os níveis do ensino superior, de pesquisas relevantes em todas as áreas do conhecimento, no passado ela foi aquilatada pela criação de oportunidades de acesso ao ensino superior (tão escassas), pela presença de centros de formação e pesquisa em diversos e às vezes esquecidos pontos do Estado de São Paulo, pela iniciativa governamental para superar o raquitismo quantitativo e qualitativo da universidade no país. Tudo graças a lideranças políticas e universitárias cuja memória cabe hoje reverenciar, tomando como positivo e significativo o saldo obtido descontando-se os erros dos acertos. E sem deixar de considerar que o sujeito coletivo ? a comunidade acadêmica unespiana como um todo, em seu devir histórico ? é, de longe, o único herói de quem todos, sem exceção, são devedores.
O momento atual encontra a Unesp madura e robusta, sem perder o frescor necessário ao exercício da reflexão, da pesquisa, do ensino, do debate. Mas também lhe coloca desafios novos, de difícil enfrentamento, entre os quais se sobressaem o dilema do financiamento público (em contexto de recorrentes crises fiscais e permanentes disputas por fatias orçamentárias) e as exigências contemporâneas para o reconhecimento na comunidade científica global, que impõem padrões de excelência extremamente elevados, com o agravante de desconsiderar as diferenças históricas e as distintas demandas que recaem sobre as instituições universitárias dos países em desenvolvimento.
Feliz aniversário, Unesp, muitos anos de vida! Muitas vidas em suas veias, muitas veias em seu corpo, irrigadas pelo apreço ao conhecimento e aquecidas pelo sopro da sabedoria!


O autor é economista e professor do Departamento de Administração Pública da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara há 10 anos dos 40.