09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sou professor e não criminoso


| Tempo de leitura: 3 min

De 1964 a 1985 o Brasil amargou um dos piores processos de sua história, a repressão e o autoritarismo de uma Ditadura Militar que suspendeu a Constituição, dissolveu o Congresso e controlou o Judiciário. Este período é marcado por censura, tortura e morte, o povo perdeu o direito à liberdade de escolha e de dizer o que pensava, não podia reclamar questionar e nem ao menos lamentar os mortos deixados no esquecimento dos porões do aparelho militar. É inadmissível que depois de 30 anos tenhamos que viver em um Estado onde não podemos questionar, protestar e lutar por algo que entendemos que seja a melhor forma de desenvolver um país, a Educação.
O professor é a única ferramenta capaz de combater a corrupção, pois ele molda mentes e caráter, é ele quem motiva que auxilia e mostra o caminho, não podemos permitir que a Educação continue sendo tratada como algo dispensável, como ferramenta de fabricação de massas de manobra, onde a despolitização é um meio convencional para manter a mesma elite de coronéis no controle, criando uma espécie de ditadura ideológica.
O sucateamento da escola e a desvalorização do professor aliados à criação de programas pedagógicos ineficientes comungam com a exclusão social, pois difere propositalmente os objetivos do aluno pobre com o do aluno rico, que possui condições de estudar em uma escola que fornece meios para que ele entre nas melhores universidades e passe nos concursos públicos, enquanto o aluno da escola pública estadual é promovido automaticamente e tem como conteúdos habilidades e competências que levam nada a lugar nenhum.
O professor que diz não a esse tipo de sistema não deve ser perseguido, mas ser amparado e ouvido, o professor que contesta números que não correspondem à realidade, deve ser levado a sério e respeitado, pois ele mais do que ninguém sabe o que acontece em sala de aula. O professor que luta pela sua categoria merece ser aplaudido e não tratado como criminoso e ser processado por dizer a verdade.
Que possamos dizer não a um governo que trata greve como caso de polícia e professores como criminosos, que se orgulha de ter construído mais de 53 presídios e nenhuma universidade.
Deixem-nos lutar pelo que é certo e nos ajudem a sermos ouvidos, a educação é a única ferramenta capaz de mudar um país, que nos lembremos do exemplo do Japão, que após ser derrotado e devastado na Segunda Guerra se tornou uma das maiores potências do mundo, pois investiu em Educação e valoriza o professor ao ponto de dar-lhe a honra de ser a única pessoa a não se curvar diante ao imperador.
A ditadura acabou com a nossa liberdade, suprimiu com violência a vontade de mudar, e isto ao invés de nos assustar nos motivou a continuar lutando, é por isso que não podemos aceitar que uma nova ditadura surja da democracia e reprima nossos direitos de contestar e nos manifestar, esse processo não nos assusta, mas nos motiva a continuar lutando. Estamos dizendo que não nos arrependemos de dizer a verdade e contestar informações de quem há 20 anos tem tornado o Estado de São Paulo um Estado de oligarquias e exclusão.
Não façam como os ditadores do Regime Militar, não nos condenem por lutar e denunciar de forma direta e clara o que acontece nos porões da ditadura ideológica, não permita que calem a voz de quem quer falar em nome de quem não consegue, pois a mordaça da ignorância criada com o sucateamento da Educação impediu, deixem-nos ser a voz os excluídos de quem quer falar, mas não pode!

Prof. Alexandre Bastos - Mobilização Pedagógica.