09 de julho de 2026
Política

Sinserm denuncia punição de servidores

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) acusa a Prefeitura de Bauru, especificamente a Secretaria de Saúde, de retaliar funcionários que participaram da greve da categoria, deflagrada em março deste ano. São 4 trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que aderiram ao movimento. A penalização seria motivada por infração gravíssima, envolvendo suposta omissão de socorro, que teria culminado no óbito de um paciente, vítima de parada cardíaca.

 

Ontem, a diretoria e os advogados da entidade denunciaram a possível perseguição a grevistas. Eles se apegam a manifestações do secretário de Administração, Célio Bucceroni, e do prefeito Rodrigo Agostinho sobre o caso para embasar o argumento de que o afastamento dos funcionários foi arbitrário.

 

No dia 1 de junho, em despacho formal, Bucceroni observa que a conduta dos servidores está sendo apurada por uma sindicância, de caráter simplesmente investigatório, que não implicaria no afastamento. Logo em seguida, no mesmo dia, Rodrigo determinou, em despacho  à mão, que o entendimento do secretário fossse acatado imediatamente. “Até porque já ocorreu acordo em relação à greve”, escreveu.

 

“Para nós, está muito clara que a punição aos trabalhadores se deu por conta de terem participado do movimento. Isso é um horror. E a própria população sai prejudicada. São dois motoristas e dois técnicos de enfermagem. Ou seja, duas equipes que garantiriam mais duas ambulâncias na rua. A equipe do Samu já é deficitária, o que exige que os trabalhadores cumpram um número muito grande de horas extras”, pontua Idelma Corral, diretora do Sinserm.

 

Prefeito nega perseguição e Samu se manifesta

 

Sobre as denúncias do Sinserm, Rodrigo Agostinho nega perseguição a grevistas. “Eu não vi o processo que tramita na Corregedoria, que está sob sigilo inclusive, mas posso dizer que essas 4 pessoas respondem por uma infração muito grave. Tudo está sendo apurado”. Sob sua própria manifestação por escrito, na qual associa a punição ao movimento grevista e pede a revogação do afastamento dos servidores, o chefe do Executivo se justificou: “No começo, eu achei que tivesse a ver e mandei voltar atrás. Mas, logo em seguida, secretário de Saúde [Fernando Monti] fez um arrazoado, explicando a situação”.

 

Agostinho, agora, também discorda do entendimento do secretário Célio Bucceroni. “Mesmo sendo uma sindicância, dependendo da gravidade do caso, podemos, sim, afastar funcionários preventivamente”. Diretor do Samu, Carlos  Sacomandi reitera a versão de Rodrigo e afirma que a decisão de afastar os servidores não partiu da Secretaria de Saúde, mas sim da Corregedoria. Sobre a versão dos trabalhadores para o evento que culminou na morte do paciente, Sacomandi diz: “Temos tudo registrado. Todas as gravações estão sob a posse da Corregedoria”.

 

Omissão e óbito

 

No dia 10 de abril, uma semana antes do início do afastamento dos 4 funcionários, o Samu recebeu o chamado para um caso de parada cardíaca na Vila Ipiranga. O pedido de socorro teria sido feito às 18h40 e, de acordo a Prefeitura de Bauru, esses servidores, divididos em duas ambulâncias que estavam fora de suas bases, no momento, se recusaram a se dirigir ao local porque seus plantões terminariam às 19h. Com a demora no socorro, o paciente morreu.

 

O JC conversou ontem com dois dos trabalhadores afastados, que prefeririam manter sob sigilo suas identidades. Eles alegam que, antes das duas viaturas em que estavam serem acionadas, o serviço já havia sido solicitado a outra equipe. Além disso, uma médica que estava na base do Samu também teria se recusado a atender o caso por conta da proximidade do fim de seu expediente. “Se há uma médica e uma outra equipe envolvidas nessa história, por que só nós, que participamos da greve, fomos afastados? Tem até vídeo dessa médica no pátio no horário da chamada. Em parada cardíaca, tem que ir a unidade avançada, com médico”, questiona um deles. Ele relata ainda que a base chegou a pedir que sua equipe fizesse o serviço.