Presidente do PT de Bauru, Claudinho da Construção disse ontem não reconhecer como legítima a iniciativa de cerca de 40 militantes que se reuniram na última quarta-feira para discutir os rumos da sigla, que dizem estar abandonada por seu comando oficial. O dirigente afirmou ainda que as decisões tomadas no encontro não serão acatadas, a menos que deliberadas formalmente pela Executiva da legenda.
“Não dá para dizer que foi uma reunião do diretório. Foi uma reunião de grupo, liderada pela Estela [vice-prefeita Estela Almagro]. É próprio dela criar problemas com esse tipo de confronto. Vivemos um momento extremamente crítico. Não podemos descontruir o partido”, acusou.
O encontro, no entanto, foi convocado com base em instrumento previsto no estatuto do PT, pelo qual o diretório é convocado a partir da assinatura de um terço de seus membros.
O movimento rebelde não só conseguiu a adesão mínima inicial como atraiu mais da metade dos integrantes do diretório (22 de 38), atingindo, assim, o quórum necessário para realizar a reunião.
Além disso, filiados que integram o grupo do atual presidente na sigla e trabalharam pela sua eleição também participaram do encontro.
O presidente da legenda argumenta, no entanto, que não foi notificado pelos rebeldes sobre a reunião. “Poderiam até recorrer ao estatuto para tomar essa iniciativa, mas não cumpriram todos os trâmites necessários para isso”.
Ele pondera ainda que está rompido ou afastado com alguns de seus antigos aliados que participaram do encontro da última quarta-feira.
Uma das decisões da reunião com os membros do diretório do PT foi a criação de uma comissão eleitoral para evitar que agentes políticos – especialmente o vereador Sandro Bussola - promovam negociações paralelas sobre o pleito do ano que vem em nome do partido.
O presidente da sigla, no entanto, critica a iniciativa e diz que o parlamentar tem legitimidade para dialogar, inclusive com outras legendas. “A Estela não é do diretório nem da executiva e faz isso...”.
Os rebeldes também agendaram nova reunião e um seminário partidário para o próximo dia 4 de julho.
Claudinho avisou, no entanto, que chamará um “encontro oficial” do diretório até a próxima semana. Sobre a falta de organicidade na legenda, o dirigente diz que a responsabilidade por convocar reuniões regulares é do secretário-geral do PT, o ex-vereador José Carlos de Souza Batata.
Roque e o mandato
A reunião realizada na última quarta-feira deliberou que a Executiva do PT deveria convocar o vereador Roque Ferreira (PT) para se explicar sobre o anúncio de que deixaria o partido, correndo o risco de perder seu mandato na Câmara Municipal.
Sobre o assunto, a Esquerda Marxista, corrente na qual milita o parlamentar, se manifestou por meio de nota, pontuando que decisão de saída da sigla foi aprovada em conferência do grupo, em abril deste ano.
“O processo de desfiliação do PT, quando e como fazê-lo de seus militantes, inclusive dos que possuem mandato, está sendo discutido, será realizado coletivamente por todos os membros da Esquerda Marxista. Todas as discussões políticas já foram realizadas nas legítimas instâncias do PT”.
Tiroteio
A vice-prefeita Estela Almagro disse ter se surpreendido com o que chamou de “tiroteio” do presidente Claudinho da Construção.
“Acho um equívoco desmerecer tantos militantes e dirigentes, ainda mais partindo do comando de um diretório eleito há mais de um ano que nunca sentou para discutir política. O debate do encontro não foi personalizado”.
Chico Maia, secretário municipal de Agricultura e filiado ao partido, também se posicionou em favor da reunião. “A militância ficou órfã com essa presidência ausente e inoperante. Isso é deplorável”.
Já o secretário de Movimentos Populares da sigla, João Félix Neto, disponibilizou ao JC o e-mail enviado a Claudinho da Construção, notificando-o sobre a iniciativa dos membros do diretório. “Também falei com ele por telefone. Acho muito estranho um presidente desqualificar 40 filiados. Nossa intenção é unir e não rachar. Ele é presidente de todo mundo e não de uma chapa”.