10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Alzira Pedroso, uma guerreira!


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No último dia 16 partiu deste mundo Alzira dos Santos Pedroso, minha mãe, prestes a completar 95 anos de idade. Salgada nas lutas e que jamais perdeu a ternura, sempre tendo uma palavra de amor, solidariedade e incentivo para quem batia na sua porta. Sempre digo que neste plano espiritual, não foi uma simples peça na engrenagem e, sim, uma mola propulsora de sua geração, sempre atenta as movimentações sociais e participante ativa nas reinvindicações populares.

No início dos anos 60, fundou ao lado de outras companheiras, com o apoio do então vereador Edison Gasparini, a Associação das Donas de Casa de Bauru, tendo sido sua presidenta até 1º de abril de 1964, quando a entidade foi dissolvida em virtude do Golpe Militar de 1º de abril. Ao lado de dona Darci Gasparini, Araci Figueiredo Silva e outras mulheres, lutou por melhorias nos bairros periféricos de nossa cidade, contra a alta do custo de vida, chegando a conseguir que a Prefeitura Municipal vendesse produtos de primeira necessidade, a preços praticamente de custo, na feira livre da Nações Unidas, local em que a municipalidade chegou inclusive a instalar açougues para atender a população. Claro que não podemos esquecer da sensibilidade do então prefeito, Irineu Bastos em atender a reinvindicação da entidade.

Sua residência, na Vila Falcão, era ponto de encontro obrigatório e ali eram realizadas constantemente reuniões políticas legais e clandestinas, durante o período do regime militar e muitas decisões foram tomadas acompanhadas de seu café. Em seus noventa e quatro anos de vida, jamais se mostrou individualista, personalista e até em seus últimos dias de vida, mesmo abalada por um AVC, demonstrava contínua preocupação com as crianças, emocionando quem estava ao seu lado.

Sem dúvidas, Alzira foi guerreira neste mundo e sua partida deixa saudades em todos que com ela conviveram. Agradeço a todos que nos buscaram nos confortar em sua partida, pessoalmente, por telefone ou por mensagens eletrônicos, que consolidam nossa opinião de que não veio a este mundo para viver escondida e sim, para participar da vida em comunidade. Fizemos a sua vontade e foi sepultada em São Manuel, ao lado dos pais, irmãs e cunhada.

Agradeço, em especial, minha esposa Ana Célia que, nos últimos cinco anos, cuidou de sua sogra com extremo carinho, estando ao seu lado até o fim. Obrigado mãe, por ter existido.

Antonio Pedroso Junior, o Chinelo