Assim como ocorreu nos demais centros urbanos do País, os primeiros prédios residenciais de Bauru surgiram na região central da cidade. Por aqui, estima-se que os primeiros arranha-céus tenham sido construídos em meados da década de 1950. A novidade era tamanha, que as construções eram vistas pelos moradores como uma espécie de atração turística.
Dona Dirce Leme Guimarães é a síndica de um desses “monumentos” que guardam as raízes da construção vertical bauruense. Ela mora há 20 anos no Edifício Bandeirantes, erguido entre as ruas Treze de Maio e Bandeirantes. Porém, ela lembra da construção do imóvel em questão com alguns detalhes, já que morava na vizinhança antes de se mudar.
Segundo Dirce, o Bandeirantes foi construído e entregue entre os anos de 1975/1977. “Eu acredito que este foi o segundo residencial vertical construído em Bauru e que foi feito pelo engenheiro José da Silva Martha sobre um terreno que abrigava uma casa do João Coube”, conta.
A síndica morava em uma casa na região e recorda que a construção chamava a atenção dos que por ali passavam. “Havia até mesmo quem passasse pelo Centro apenas para vê-la. Parecia que estavam procurando petróleo, de tão profunda e forte que era a obra”.
Mudança
Ainda segundo a moradora, viver em prédios não era uma opção para ela, que morava em um amplo imóvel. “Eu sempre gostei de casa grande, com quintal. E nunca pensei em viver em um apartamento, mas os tempos são outros. A violência é uma realidade que não nos acompanhava no passado. Depois que fiquei viúva, optei por um imóvel que representasse mais segurança. Mudei-me para o Bandeirantes. Além de conforto e segurança, daqui, do 13º andar, tenho uma vista privilegiada de parte da cidade”, aponta.
‘Moro no primeiro de Bauru’
A maioria dos moradores das edificações residenciais pioneiras de Bauru são pessoas na terceira idade. Gente que comprou os apartamentos assim que foram projetados e que construíram, ali, boa parte de sua história.
Entretanto, a auxiliar de cozinha Rita de Cássia Francisco faz parte da exceção. Há pouco mais de um ano ela mudou-se do Núcleo Octávio Rasi para o Edifício Bauru, conhecido por ser o primeiro prédio residencial da cidade.
“O que me trouxe para cá foi a comodidade proporcionada por um endereço no Centro. Eu tenho dois empregos e passava muito tempo de um lado para o outro. Na região central a locomoção é mais fácil”.
O Edifício Bauru tem 8 andares, com três apartamentos em cada um. Acredita-se que ele tenha sido construído em 1955, o primeiro totalmente residencial de Bauru. Ele foi erguido com uma das fachadas voltada para a quadra 12 da avenida Rodrigues Alves e a outra para a quadra 2 da rua André Padilha Sobrinho. Há uma entrada em cada rua.
Em meio aos edifícios comerciais e residenciais que margeiam o trecho central da avenida Rodrigues Alves ainda é possível encontrar prédios exclusivamente residenciais ou, ao menos, que reservam a maioria dos seus andares para esse fim.
Foi na Rodrigues que também foi construído o Edifício Terra Branca, segundo os seus moradores, há cerca de 55 anos. Com 9 andares e quatro apartamentos em cada um deles, o prédio guarda características das construções verticais do passado, como o pequeno elevador com carga máxima de 450 quilos.
Lá vive dona Vilma Ely Villaça, 94 anos, viúva de um funcionário da Noroeste. “Eu me mudei para cá há 35 anos, quando fiquei viúva”. Dona Vilma mora no último andar do prédio. “Foi por questões de segurança que optei pela mudança da casa para o prédio. Quando vim para cá, praticamente não havia prédios nessa linda vista da minha sacada. Olha quantos temos hoje”.