09 de julho de 2026
Geral

Indústria gráfica lança campanha

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru recebe na próxima quinta-feira a campanha mundial “Two Sides” em favor da indústria gráfica e impressa. O lançamento será no Café com Política do Jornal da Cidade, às 14h30, com palestra do presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP), Fabio Arruda Mortara. Na sequência, haverá também um debate. Pela manhã, as entidades da indústria gráfica entregarão uma biblioteca revitalizada em Duartina, através do projeto “Bibliotecas - Leitura para Todos”.

Fabio Mortara é também “country manager” da Two Sides Brasil, que encabeça o maior movimento mundial de difusão da sustentabilidade da comunicação impressa. A campanha “Two Sides” surgiu em 2009 na Inglaterra e hoje está presente em todos os continentes. No Brasil, conta com adesão de 42 entidades, representantes de um universo de 80 mil empresas, geradoras de 615 mil empregos diretos e faturamento anual de US$ 40 bilhões.

Papel não morre

“Não, o papel não vai sumir do mapa, não vai morrer, ao contrário, os livros tendem a ter tiragens mais crescentes no mundo todo. Sob o pretexto de defender o meio ambiente, fala-se muita coisa errada sobre a produção do papel e o funcionamento da indústria gráfica”, disse ele ao JC, por telefone. Poucos sabem que 100% do papel produzido no Brasil e utilizado em impressos é oriundo de plantios específicos, são cultivados e não provêm da extração predatória de árvores. Não há desmatamento para fazer papel de impressão no Brasil.

“Estamos aqui para desmistificar muitos desses conceitos, por isso existem campanhas como a  Two Sides, para difundir informação de qualidade”. Para o presidente do Sindigraf, “multiplicam-se estatísticas, estudos e pesquisas em todos os cantos do Planeta mostrando que a comunicação impressa está mais viva do que nunca”.

Estudos

“Contrariando previsões precipitadas, a comunicação impressa segue sua missão de transmitir conhecimento, informação e cultura”, diz Fábio Mortara para citar estudos que mostram que o número de livros impressos vendidos nos Estados Unidos no ano passado subiu 2,4%. No Reino Unido encolheu 1,3%, mas a queda foi muito menor do que em 2013, quando as vendas retrocederam 6,5%.

E a tecnologia não está atraindo tanto quando o assunto é leitura ou absorção de conhecimento. “A performance de venda e leitura de e-books tem ficado aquém das expectativas”, diz, fazendo uma analogia com a venda de agendas. Embora todo mundo tenha uma agenda em seu computador, notebook ou celular, cada vez mais se vendem agendas de papel, “um excelente item para presentes, para uso empresarial, as pessoas não deixaram de usar suas agendas impressas, não abrem mão delas, mesmo os mais jovens”. Outra analogia ele faz com o relógio de pulso: “Falaram que relógio sumiria, mas o jovem adora relógio e com o layout modernizado ele é um dos itens de consumo preferidos”.

Para apostar em que o conhecimento é melhor absorvido quando feito através de livros, apostilas, jornais, ou seja, da leitura em papel, o dirigente gráfico cita um estudo recebido recentemente: quando se estuda em papel a informação é absorvida de forma melhor do que o estudo em equipamentos eletrônicos. “Tudo por causa do foco. Foca-se menos, segundo levantamento da Associação Brasileira de Marketing Direto, que mostra que não temos a devida atenção como temos no impresso. Chegamos a ter menor grau de atenção que peixinhos dourados” (leia mais abaixo)”, diz Mortara.


Pouca atenção

Humanos atualmente têm limiar de atenção menor que peixinhos dourados. Limiar de atenção é a quantidade de tempo que alguém fica concentrado em uma tarefa sem se distrair. A maioria dos educadores e psicólogos concorda que a capacidade de manter a atenção em uma tarefa é crucial para alcançar metas.

Com o aumento da estimulação por fontes externas, não é exatamente uma surpresa que estudos realizados para o National Center for Biotechnology Information, a U.S. National Library of Medicine e The Associated Press tenham descoberto que o limiar de atenção diminuiu na última década. A questão é quanto.

E aí vai uma surpresa: nosso limiar de atenção, entre 2000 e 2015, caiu de 12 segundos para 8,25 segundos, o que nos coloca ligeiramente abaixo de um peixinho dourado, cujo limiar de atenção é de 9 segundos. Outros dados: 25% dos adolescentes esquecem detalhes importantes sobre amigos e parentes próximos, 7% das pessoas esquecem seus próprios aniversários de vez em quando, 30 vezes é a média que funcionários de escritórios conferem seus e-mails em uma hora, em média assiste-se 2,7 minutos em cada vídeo da Internet e 17% é a média de páginas da web visualizadas em menos de 4 segundos.

Fonte: Associação Brasileira de Marketing Direto (Abemd)


Bauru e Duartina

No evento da próxima quinta-feira também serão relatadas campanhas feitas para combater o chamado “greenwashing” - que acontece quando as empresas, sob o pretexto de redução de custos, recorrem a argumentos supostamente ambientais para deixar de enviar extratos, boletos e outras correspondências para o consumidor. Por exemplos como esse, entre outros itens importantes, Ricardo Carrijo, vice-presidente da Seccional de Bauru da Abrigraf-SP, ressalta que a adesão das entidades ligadas às indústrias gráficas de Bauru e região à campanha “Two Sides” insere Bauru na “agenda mundial em favor da comunicação impressa”.

Em Duartina, as entidades da indústria gráfica entregarão uma biblioteca revitalizada, por meio do projeto “Bibliotecas - Leitura para Todos”, que tem como objetivo revitalizar (em alguns casos até criar) espaços  públicos de leitura em pequenos municípios paulistas. Marcado para as 11h da manhã, o evento terá apresentações da Orquestra de Violinos Musicrescer e do Grupo de Capoeira Mandacaru.