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Divulgação |
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Norival Agnelli, na Colômbia, comemorando a milésima medalha |
Com o tempo de 39 segundos e 47 centésimos e o bronze na prova de 50 metros costas, na cidade de Medellín, na Colômbia, o nadador do Bauru Tênis Clube (BTC), Norival Agnelli, de 65 anos, trouxe na bagagem a sua milésima medalha, consagrando uma carreira de mais de 56 anos (assista ao vídeo abaixo).
Nas disputas simultâneas do Pan-Americano e Sul-Americano de Natação Master, realizadas entre os dias 18 a 24 de junho, que reuniu competidores de mais de 20 países do continente americano, Agnelli trouxe, ao todo, 10 medalhas para a sua coleção.
Além da milésima conquista, que veio com a prova de encerramento, Agnelli trouxe ainda uma prata do Sul-Americano de 50 metros nado costas, dois bronzes nos 100 metros nado costas (Sul e Pan), duas pratas nos 200 metros costas (Sul e Pan), prata no Sul-Americano nos 50 metros borboleta e bronze nos 50 borboletas do Pan e mais dois bronzes nos 50 metros nado livre (Sul e Pan).
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Bruno Freitas/Divulgação |
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Agnelli e Nabo, no BTC, com as medalhas conquistadas na Colômbia |
O parceiro de piscinas, também do BTC, Flávio Marcondes Motta, o Nabo, de 83 anos, também deu um show na Colômbia e faturou 8 medalhas.
Nabo foi prata no Sul-Americano e no Pan-Americano nos 200 metros nado costas, prata nas duas competições nos 50 metros peito, ouro no Sul-Americano nos 100 metros nado peito e prata no Pan na mesma prova, medalha de prata nos 100 metros costas no Sul-Americano e fechou com bronze nos 100 metros nado costas.
Devido a uma gripe forte, ele ainda não participou de sua prova favorita, nos 50 metros costas, onde vence com bastante frequência.
O INÍCIO
Guardadas as devidas proporções, o “Pelé” da natação bauruense ficou emocionado ao conquistar seu milésimo “gol” nas piscinas.
“Foi uma sensação de alegria indescritível podem alcançar um objetivo que busco há muitos anos. Agora é um momento de reflexão e de comemorar ao lado da família, a final, abdiquei muito tempo focado em treinos e competições para realizar este sonho. Faço aqui um agradecimento especial a todos os meus familiares que me apoiaram incondicionalmente, a Deus, aos amigos, alunos do curso de engenharia civil e ao nosso treinador, meu e do Nabo, o Daniel Pestana”, agradeceu Agnelli.
Ele lembrou ainda que sua primeira medalha foi conquistada em 1959, aos 9 anos de idade, de prata na categoria infantil dos Jogos Regionais Esportivos Culturais, em Bauru, disputado na antiga e extinta Piscina Recreio, no Jardim Bela Vista.
“Essa piscina tem muita história para contar em Bauru. Ficava a 20 metros de casa. A partir daquele momento, com a ajuda do meu primeiro técnico, o Jesus Arena, absorvi a natação como estilo de vida e nunca mais parei de nadar”, lembrou o professor das piscinas.
SUPERAÇÃO DE TRAUMA DA INFÂNCIA
“Era para eu ter trauma e medo de água. Aos 5 anos, caí em um poço com 14 metros de profundidade e fui salvo por meu pai. Mais tarde, brincando no rio Bauru, fiquei atolado e uma amiga da família me ajudou”, relata o nadador. O medo deu lugar à paixão pela natação, despertada aos 7 anos, ao assistir a competições oficiais da Federação Paulista de Natação, na Piscina Recreio, com bóias improvisadas com latas de óleo vazias e cinta.
Fora d’água, Agnelli é doutor em engenharia civil e já aposentado após lecionar por 35 anos na Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru. Atualmente, ele continua seu ofício na Universidade do Sagrado Coração (USC) e na Universidade Paulista (Unip).
CAMPEÃO SUL-AMERICANO AOS 15 ANOS EM 1964
Uma das conquistas que ele lembra com carinho foi há 51 anos, quando deu volta no alto de um caminhão do Corpo de Bombeiros pela antiga rua Batista de Carvalho (hoje Calçadão), ao fazer o melhor tempo da América do Sul aos 15 anos de idade, com tomada de tempo feita oficialmente pela Federação Paulista de Natação, também em Bauru (BTC).
Norival Agnelli foi também quem estimulou o amigo Nabo a voltar a nadar, em 2008, após 40 anos sem participar de competições esportivas.
“Foi ele (Agnelli) quem me deu um ‘empurrãozinho’ na piscina e me convenceu a voltar a treinar e competir após quatro décadas inativo. Isso me ajudou - e muito - na minha saúde. E fica aí a dica para os mais jovens e os coroas assim como eu: tenho 83 anos e continuo vencendo e alcançando meus objetivos”, contou Nabo, que já ultrapassou as 500 medalhas.
Ele ainda faz um agradecimento especial à Turma dos 30 do BTC, que viabilizou sua viagem à Colômbia.
A primeira medalha de Nabo foi em 1945, logo após o anúncio do término da 2ª Guerra Mundial, com um triunfo de ouro no Torneio Estímulo de Natação, na primeira piscina do BTC, aos 13 anos de idade e sob o comando do técnico Humberto Micolis.
Próximo objetivo da dupla será em setembro, pela 3ª Etapa do Circuito Nacional de Natação Master, em Ribeirão Preto (SP), Em outubro eles vão para o Rio de Janeiro (RJ) disputar a etapa seguinte do mesmo circuito.
Assista ao vídeo: