10 de julho de 2026
Internacional

EUA e Cuba reabrirão suas embaixadas neste mês depois de 54 anos

Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Os EUA e Cuba concordaram formalmente ontem em restaurar seus laços diplomáticos, rompidos há 54 anos, cumprindo uma promessa feita seis meses atrás pelos ex-inimigos da Guerra Fria. O presidente norte-americano, Barack Obama, e seu homólogo cubano, Raúl Castro, trocaram cartas concordando com a reabertura de embaixadas nas respectivas Capitais, o que Havana disse poder acontecer até 20 de julho.


“É um avanço histórico em nossos esforços para normalizar as relações com o governo e o povo cubanos e iniciar um novo capítulo com nossos vizinhos nas Américas”, declarou Obama no Jardim Rosa da Casa Branca.


Ao falar em Viena, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que irá visitar Havana ainda no segundo semestre para hastear a bandeira de seu país na embaixada, que atualmente é uma seção de interesses dos EUA sob proteção do governo da Suíça.


Obama e Raúl querem relegar à história os 56 anos de recriminações que predominaram desde que os rebeldes comandados por Fidel Castro derrubaram o governo de Fulgencio Batista, que tinha apoio dos EUA, em 1 de janeiro de 1959.


“Cuba se sente encorajada pela intenção recíproca de desenvolver relações respeitosas e cooperativas entre nossos dois povos e governos”, escreveu Raúl Castro, de 84 anos, irmão caçula de Fidel e presidente cubano desde 2008, em sua carta a Obama.


O acordo com Cuba simboliza um grande feito para Obama, que foi criticado por seus tropeços na política externa, especialmente no Oriente Médio. A reaproximação se segue a uma vitória recente em uma batalha com o Congresso que pode concretizar um acordo comercial com a Ásia e ocorre no momento em que Washington parece às vésperas de alcançar um acordo nuclear com o Irã.


Após 18 meses de negociações secretas mediadas pelo papa Francisco e pelo Canadá, os dois líderes anunciaram em dezembro de forma separada, porém simultaneamente, seus planos de reabrir as embaixadas e normalizar os laços diplomáticos. O entendimento também envolveu uma troca de prisioneiros.


Com o restabelecimento das relações, EUA e Cuba irão se voltar para problemas bilaterais mais difíceis.


O governo comunista de Cuba declarou em comunicado que, para ter relações normais em geral, os EUA precisam suspender seu embargo econômico contra Cuba e devolver a base naval da baía de Guantanamo, que arrenda desde 1903. Cuba quer que os 116 quilômetros quadrados voltem a pertencer à sua soberania territorial.


Obama, um democrata, pediu ao Congresso de maioria republicana que suspenda o embargo de 53 anos, mas a liderança conservadora da legislatura tem resistido ao apelo.