10 de julho de 2026
Política

Conta da água fica 35% mais cara e passa a valer a partir de agosto

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Éder Azevedo/Reprodução

Giasone: aumento permitirá que autarquia continue trabalhando

Finalmente, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) bateu o martelo. A conta de água ficará 35% mais cara. O decreto está na edição desta quinta-feira (2) do Diário Oficial de Bauru (DOB). A nova tarifa, cujo índice de reajuste é quatro vezes maior que o da inflação, valerá a partir do mês de agosto e não garante a viabilização das obras necessárias para melhorar a rede e o sistema de abastecimento da cidade.


Conforme o JC vem noticiando, a divisão financeira do DAE reivindicava o aumento de 57% para tirar do papel as ações apontadas pelo Plano Diretor de Águas (PDA) como essenciais para este ano, orçadas em R$ 17 milhões. Com o percentual concedido pelo chefe do Executivo, porém, será possível apenas garantir que a autarquia mantenha o serviço prestado atualmente e pague todas as contas até dezembro.


Isso porque o caixa do departamento foi afetado pela disparada dos custos da energia elétrica, essencial para manter em funcionamento os poços de captação (por conta da incapacidade de reservação do sistema, alguns operam 24 horas por dia) e a Estação de Tratamento de Água (ETA). O impacto chegou a 80% em junho, em relação ao mesmo mês do ano passado. O DAE, no entanto, havia estimado aumento de 15%.


Presidente da autarquia, Giasone Candia explica, porém, que esse é apenas um dos pontos de preocupação. “Temos mais de 220 equipamentos, entre veículos, máquinas e motos. Os preços para manutenção dobraram, sem contar o combustível. Além disso, os produtos utilizados para o tratamento de água são importados e também sentiram o efeito do dólar lá em cima”.


CUSTEIO


Nessa quarta-feira (1), Rodrigo Agostinho voltou a dizer que não pode “penalizar” a população para atender a todas as demandas do DAE ao justificar o aumento de “só” 35% na conta de água. Ele afirmou, no entanto, que a autarquia fará esforços para reduzir custos e não fechar o ano deficitária.


O corpo técnico do departamento contava com o reajuste já para o mês de julho. A morosidade do prefeito em tomar a decisão, porém, empurrou o incremento da receita para o próximo mês.


Giasone Candia confirma que as consequências do “atraso” serão sentidas, mas diz que não há outras medidas a se tomar que já não venham sendo executadas.


“Não tem segredo. Pedimos 57% e foi concedido o reajuste de 35%. Não terei recursos para investir? Temos que reduzir despesas com horas extras e até materiais de forma geral”, diz o presidente do DAE.


Ele pontua ainda que, apesar das limitações do setor de informática da autarquia, apostará na cobrança de devedores. As notificações sobre contas atrasadas já estão sendo feitas um dia após o vencimento. Anteriormente, o alerta era emitido depois de um mês de inadimplência.


PASSADO


Giasone cita ainda que, ao longo dos anos, os índices de reajustes solicitados pelo DAE não vinham sendo contemplados pelo prefeito. No ano passado, por exemplo, a conta foi corrigida em 9%, mas o pedido fora de 22%.


Em reunião da Comissão de Obras da Câmara Municipal, realizada na semana passada, vereadores criticaram a “politicagem” do governo sobre a tarifa cobrada pela autarquia.


O presidente, no entanto, minimizou a responsabilidade do prefeito. “Todo mundo tem o culpado, mas ele fez o que deveria, não castigando a população”, finaliza Giasone Candia.


Investimentos?


Com o aumento, o DAE definirá, agora, quais investimentos previstos para o Plano Diretor de Água (PDA) serão possíveis de serem executados. As intervenções esperadas para os próximos 20 anos custarão R$ 256 milhões. Em 2015, os gastos seriam de R$ 17 milhões.


Uma das ações, a perfuração do poço Zona Norte, já foi concluída em 2014. Em breve, será inaugurado o poço Jardim TV. Também está em fase de licitação a contratação do poço Padilha 2, que reforçará a região da Bela Vista.


Giasone Candia diz que a autarquia tentará viabilizar pelo menos a contratação de projetos, como o de um novo ponto de captação de água no rio Batalha (R$ 2,6 milhões; a obra custaria R$ 34 milhões); a reforma da Estação de Tratamento de Água (R$ 1,5 milhão; a obra custaria R$ 24 milhões); e o de setorização do abastecimento, apontada como a única solução para o fim dos vazamentos, que fazem com que o sistema perca quase 50% da água produzida (R$ 5,9 milhões; a obra custaria R$ 170 milhões).


30 mil terão aumento de até R$ 4,94


Morador do Higienópolis, o aposentado Antônio Modolo ficou assustado ao saber pela equipe de reportagem do JC sobre o índice de 35% de aumento da tarifa do DAE. No último mês, ele pagou R$ 14,10 na conta, tendo gasto 5 mil litros de água. Caso seu consumo se mantenha o mesmo, ele passará a desembolsar R$ 19,04 (R$ 4,94 a mais).


“Tudo bem que o valor é pequeno. Mas o que justifica esse percentual tão alto? Não é só a água que está aumentando. Já estamos sofrendo com a conta de luz, com o combustível e até no supermercado. Aquela história de encher o carrinho acabou”, diz ele, que vive com a esposa e um neto.


Antônio integra o grupo de 30 mil usuários – 27% do total das 113 mil ligações do DAE – que consomem até 6 mil litros de água e terá o impacto mensal inferior a R$ 5,00. O valor seria maior para estabelecimentos comerciais e industriais, que, no entanto, praticamente inexistem nessa faixa de consumo.


Outros 19.948 consumidores consomem de 7 mil a 10 mil litros de água. Nesse caso, para as ligações do tipo residencial, o aumento vai variar de R$ 5,76 a R$ 8,24. Comércios dessa faixa, no entanto, terão que desembolsar até R$ 30,67 a mais.


Para cerca de 40.134 ligações, o gasto mensal é de 11 mil a 20 mil litros. A diferença nessas contas chegará a R$ 18,70 em residências e R$ 68,20 no comércio.