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Nélson Gonçalves |
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Beatriz Monteiro, 15 anos, e Dora Girelli: oportunidade de mão dupla para encontro criativo de gerações a partir de peça teatral |
Quais as motivações para a ausência de perspectiva aos jovens da atualidade? Como conversar com os jovens, através do diálogo teatral, sobre violência, drogas e valores?
A autora Dora Girelli propõe esse diálogo cênico na peça “O Sonho Não Pode Acabar”, uma montagem de um texto que ela escreveu em outro momento de sua trajetória e que, agora, será levado ao palco do Teatro Municipal de Bauru no próximo dia 8 de julho, às 20 horas, com renda beneficente.
“O Sonho Não Pode Acabar” retrata a juventude da década de 1960. Para tanto, Girelli formatou os diálogos da peça sobre a escola, a convivência social na praça e no clube de uma cidadezinha que, hoje, tem cerca de 14 mil habitantes. Trata-se de Bálsamo, localizada na região de São José do Rio Preto, onde a carioca Rosa Girelli viveu sua infância.
“Eu convivi com dois mundos completamente em choque para minha adolescência e juventude à época. Eu conhecia do Rio de Janeiro a participação ativa de jovens daquele período, engajados nos movimentos contra a ditadura e lançando ações e palavras de ordem na capital carioca e, de outro lado, tive contato com o mundo da ingenuidade estudantil de Bálsamo. Quando escrevi a peça resolvi retratar essa relação através da música e desse ambiente histórico na pequena cidade”, conta.
Portanto, o enredo da peça nasce a partir de personagens e histórias que a autora viveu.
“Com muitos desses meus amigos ainda mantenho contato. Era um ambiente de irreverência os anos 60, nos movimentos na capital carioca, ao contrário do ambiente de violência com os quais os jovens atualmente convivem nas escolas, na rua. Em Bálsamo, por outro lado, mesmo na efervescente década de 60, o mundo parecia parar”.
E acrescenta: “Eu me recordo das filas imensas de pessoas ao redor da praça onde ficava o cinema, para assistir a uma sessão em preto e branco do Mazzaroppi. Os jovens flertavam na pracinha, andando no sentido horário enquanto as mocinhas andavam no sentido ao contrário. Era de uma ingenuidade para um mundo em explosão política em outros cantos”.
Dos bailes da juventude no clube de Bálsamo, a trilha sonora da peça alça as músicas de protestos que marcaram os festivais de MPB daquele período.
“Queremos discutir com os jovens atuais a alienação e também a discussão sobre valores que se perderam. E discutir também a liberdade de expressão em um País democrático. Queremos o jovem e as famílias a despertar para a necessidade em torno da esperança e dos sonhos dessa mocidade”, comenta Girelli.
Chance
Nesse contexto, a peça também faz homenagem aos Beatles e ao compositor Geraldo Vandré.
“Os diálogos retratam o espírito do jovem para chamar a atenção desse público e tentar toca-los para essas temáticas”, finaliza Girelli.
Para a atriz Beatriz Monteiro, 15 anos, a peça é uma oportunidade para que a juventude reveja seus comportamentos. “É preciso que o jovem reflita sobre seu mundo, suas obrigações e sua formação”, opina.
A renda da peça será em favor da Aelesab, entidade que cuida de crianças carentes no Jardim Solange.
Serviço
Peça “O Sonho Não Pode Acabar” dia 8-7, às 20h, no Teatro Municipal de Bauru. Texto de Dosa Girelli tem a direção de Rodrigo Campbell. A realização é do Grupo de Teatro Abertura e Aelesab. Ingressos antecipados a R$ 7,00 e R$ 15,00 (meia ou inteira), pelos telefones: (14) 3879-3923 e (14) 9 8118-0313.