Bauru está a alguns passos de registrar a maior epidemia de dengue de toda sua história. A avaliação alarmante é do próprio secretário municipal de Saúde, Fernando Monti. Nessa quinta-feira (2), a cidade confirmou a 5.ª vítima fatal da doença neste ano. Um homem de 42 anos (o nome não foi fornecido pela prefeitura), morador do Jardim Carolina, que morreu no dia 13 de junho. A secretaria confirmou também mais 354 novos casos da doença, todos contraídos no município.
Em 2015, Bauru já contabiliza 5.710 casos, sendo 5.641 autóctones e 69 importados. Expressivos, os números deste primeiro semestre já se aproximam do recorde de mortes em 2011, quando a dengue matou seis pessoas, e de casos confirmados de 2013, que terminou com 7.742 registros da doença (veja no quadro acima). “Este será o ano de maior epidemia em Bauru e no Estado, infelizmente”, avaliou Monti.
Na tentativa de encontrar uma saída para a situação, o secretário diz que está em tratativas com a Superintendência de Controles de Endemias do Estado (Sucen) para realizar um Fórum Regional em Bauru, com intuito de revisar as ações que têm sido colocadas em prática e buscar novas alternativas para tentar controlar a infestação do mosquito (leia mais ao lado).
‘Clima favoreceu’
Na avaliação do secretário, a epidemia tem sido favorecida pelas condições climáticas. “Os número deviam estar controlados, mas não tivemos frio de fato neste inverno ainda. E o calor favorece muito a infestação do mosquito. O Aedes aegypti também tem se adaptado cada vez melhor a lugares e situações mais difíceis”, comentou Fernando Monti.
Por outro lado, o secretário chama a atenção da população para o problema e ressalta que a prefeitura tem feito sua parte em ações, como a visita domiciliar, que despende de mais de 120 agentes ligados à secretaria para o combate à infestação.
“Estamos em uma situação grave e precisamos de uma grande mobilização da população para conseguir controlar”, afirma o secretário.
Vítima fatal
A morte divulgada ontem se diferencia das outras quatro vítimas fatais deste ano por ter acometido uma pessoa com idade não avançada, característica que vinha sendo observada nos outros casos.
O paciente, no entanto, possuía histórico de outras doenças, como: alcoolismo, epilepsia, sequela de Acidente Vascular Cerebral (AVC), asma, hipertensão arterial e insuficiência renal crônica, “que acabaram favorecendo a evolução da doença de forma rápida”, completou o secretário.
Segundo a pasta, a vítima apresentou início dos sintomas em 27 de abril e o óbito ocorreu em 13 de junho. “Nós procuramos saber detalhes e não houve nenhum tipo de erro clínico. Foram as condições do paciente que acabaram contribuindo para o efeito morte”, reforçou Fernando Monti.
Fórum Regional
Revisar de forma “honesta” as ações que têm sido colocadas em prática pela Prefeitura Municipal e buscar outras formas e tecnologias de combate à infestação do mosquito Aedes aegypti. Estes serão os objetivos do Fórum Regional que a Secretaria Municipal de Saúde está organizando junto à Sucen.
O encontro deve ocorrer em setembro, segundo antecipou o secretário Fernando Monti. “Por enquanto estamos patinando. Temos que fazer uma revisão honesta e criticar o que for preciso. Além de buscar experiências de outros municípios e novas tecnologias de combate”.
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