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Lima Jr., Artemio, Bussola e Mariano ouviram Lázara Gazzetta e Nico Mondelli, na Câmara |
A Emdurb vai conhecer nesta sexta-feira (3) as propostas de preço das empresas interessadas em transportar e dar destinação final ao chorume produzido no aterro sanitário de Bauru, que já lotou as lagoas de captação existentes no local. Mas antes, na tarde dessa quinta (2), a Comissão de Obras da Câmara Municipal ouviu a secretária de Meio Ambiente, Lázara Gazzetta, e o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, a respeito de como o município está administrando o destino do lixo.
A compra de um caminhão, para que a própria prefeitura faça o transporte do líquido oriundo do lixo, foi apontada como uma possível solução para evitar os preços elevados que têm sido cobrados da prefeitura, que terceiriza o transporte a um custo elevado se comparado com os preços praticados no mercado.
Bauru paga um valor bem acima da média para destinar o chorume: são quase R$ 200,00 por metro cúbico, que são levados até Botucatu, enquanto a Estre Ambiental, de Piratininga, por exemplo, paga R$ 103,00 para transportar o líquido até Jundiaí, segundo o vereador Lima Jr. (PSDB).
O volume de chorume no aterro de Bauru quase dobrou nos últimos dois meses e o contrato em vigência, que já havia sido prorrogado duas vezes, não dá mais conta da demanda o prazo ainda está em vigor, porém, o objeto da licitação foi atingido, e não cabe mais prorrogação da licitação, que é de 2012 e já foi prorrogada duas vezes, esta última com aditivo. “Mesmo assim o volume cresceu demais, e vamos ter que fazer a nova licitação”, disse Nico Mondelli.
A reunião na Câmara teve as presenças dos vereadores Lima Jr., Sandro Bussola (PT), Artemio Caetano Filho (PMDB), Fabiano Mariano (PDT) e Roque Ferreira (PT), que participou da parte final do encontro.
Custo elevado
Nico Mondelli acredita em preço menor desta vez, até pelo que mostrou a tomada de preços, fase que precede as licitação. “Deve ficar entre R$ 140,00 e R$ 150,00”, afirmou, menor do que o contrato atual e maior do que a média do mercado. A Emdurb pretende homologar a nova licitação em breve, com validade até o fim do ano, até pela situação precária dos tanques colocado ao lado da lagoa de chorume, que estão quebrando o galho no aterro. Inicialmente foram instalados cinco tanques com capacidade para 30 mil metros cúbicos cada e até ontem quatro já estavam cheios. A Emdurb ainda está locando outros quatro tanques, com capacidade de 40 mil metros cúbicos cada.
A Emdurb já teve de remanejar R$ 500 mil que seriam gastos em outras áreas para dar suporte financeiro à contratação da empresa que vai transportar e destinar o chorume. Nico e Lázara foram ainda bastante cobrados pelos vereadores para que apontassem outras soluções, a curto e longo prazo.
Pelas contas dos parlamentares, até R$ 1,5 milhão pode ser gasto até o ano que vem se uma empresa for contratado pelo preço que a Emdurb estima. A alternativa mais lógica e racional, que primeiramente foi aventada por Raul Gonçalves Paula (PV) e novamente lembrada pelos outros parlamentares ontem, é a compra de um caminhão para transporte do chorume, que a Semma e a Emdurb estimam em R$ 300 mil. Isso permitiria que o próprio município fizesse o transporte e que apenas a destinação fosse contratada, reduzindo muito o preço por metro cúbico. A destinação continuaria ocorrendo em outras cidades, quase sempre em estações de tratamento de esgoto.
Com o transporte por conta própria, a prefeitura gastaria apenas com o combustível, sem pagar por terceiros. Os vereadores e a própria Semma concordaram que esta é uma possibilidade que precisa ser discutida com rapidez. Outro aspecto favorável é que, em menos de dois anos, Bauru terá sua Estação de Tratamento de Esgoto, que terá capacidade para tratar o chorume.
Um caminhão com capacidade para 30 mil metros cúbicos seria suficiente para dar conta da atual demanda diária. Bauru, neste caso, ainda poderá capitalizar, pois outras cidades poderão trazer o chorume para cá e fazer a destinação final na ETE bauruense, que receberia por isso.
Grandes geradores de lixo e a coleta
Os vereadores também levantaram na reunião dessa quinta (2) a possibilidade de a prefeitura não mais coletar os resíduos orgânicos dos chamados grandes geradores, algo que já foi discutido de maneira mais tímida há alguns anos, mas volta à tona com a situação de esgotamento do atual aterro que só poderá ser usado até outubro, segundo a Cetesb.
Algumas empresas de Bauru já fazem a destinação por conta própria, sem depender da coleta da Emdurb. Se encaixam neste perfil centros de compra supermercado e algumas indústrias. Porém, não há uma legislação municipal que determine uma quantidade mínima para mensurar o que seria um grande produtor. O lixo doméstico e de pequenas empresas não seria afetado, pois não chegaria ao índice mínimo algo que demandaria discussão.
Na cidade de São Paulo, a lei trata como grande produtor todos aqueles que produzam mais de 50 litros por coleta. Em outros locais este índice é maior, chegando a até 300 litros. “Qual seria o limite aí é uma discussão que envolveria a Câmara, afinal, seria uma lei. A gente tem sim a ideia de trabalhar algo neste sentido para breve, cita Nico Mondelli. Se a gente aplicasse um índice de 100 a 150 litros por coleta como limite, teríamos uma redução de 30% a 40% em relação ao que é coletado hoje, que são 300 toneladas por dia. Poderia cair para 200 toneladas aproximadamente, completa.
A secretária de Meio Ambiente, Lázara Gazzetta, lembra ainda que isso incentivaria a reciclagem. O lixo reciclável não seria atingido pela medida, apenas o chamado lixo orgânico.