No princípio criou Deus o céu e a Terra; a luz, a flora e a fauna. Então, criou o homem à sua semelhança, podendo esse dominar os animais, usufruir da flora para seu alimento; crescer e multiplicar-se (e como multiplicaram! Hoje somos mais de sete bilhões!). E viu Deus que era tudo muito bom e totalmente sustentável! E o homem descobriu o fogo! Depois inventou a roda, a armação para colocar sobre a roda, o engate para atrelar a armação ao animal, e viu que poderia se dar bem nessa área.
Com a habilidade vinda do Criador, construiu ferramentas e utensílios. Como cada homem tinha a sua própria habilidade, percebeu que os utensílios que o seu vizinho construía eram mais bonitos ou melhores que os seus, assim como os produtos cultivados por ele, então inventou um sistema de trocas. Num certo dia, teve a brilhante ideia de trocar seus frutos ou utensílios por plaquinhas forjadas do metal, que ele retirava da natureza e inventou, assim, a moeda. Ela era tão linda que ele resolveu que queria ter muitas delas consigo, e quem tivesse mais moedas seria o mais poderoso!
Continuou criando outras coisas maravilhosas, e as entregava a troco dessas moedas. Muitas vezes, o objeto valia duas moedas, mas ele exigia a troca por cinco delas. E o outro, na ânsia de possuir o objeto, pagava! Nesse meio tempo, todos ficaram muito exigentes. Imagina só, buscar água no rio? Isso seria o fim do mundo! Então construiu eficientes sistemas de canalização para trazer a água do rio até ele e seus vizinhos, porém, cobrava moedas deles por isso também; afinal, ele tinha tido todo o trabalho!
E o dia já não bastava, precisava da noite para as suas atividades; então fez armações para colocar a fonte de fogo que havia descoberto e pode, assim, iluminar o interior da sua habitação. Porém, não bastava ter claridade dentro e ver tudo escuro lá fora, então construiu suportes altos para essas armações e assim clareou as trilhas por onde ia e vinha. Resolveu, então, cobrar moedas daqueles que também utilizavam suas trilhas.
E como tudo ficava tão imensamente grande, eram necessários muitos homens para realizar tudo o que se precisava, então entraram num acordo: quem tinha muitas moedas pagava aos que quase não tinham para que esses construíssem o que eles quisessem.
Num determinado momento, esses perceberam que as moedas que recebiam não eram suficientes frente ao esforço que exerciam, então se reuniram e levaram sua reclamação até aqueles que os tinham contratado. Às vezes, tal ato não adiantava nada e tudo acabava numa grande confusão.
Noutros contextos, o homem percebeu que poderia inventar coisas que facilitaria a sua vida no dia a dia, e criou os produtos descartáveis. Cercou-se deles com abundância tal que viu-se disputando espaço com o lixo que ele próprio criou. E na ânsia de ocupar cada vez mais espaços, foi destruindo o que o Criador havia feito; utilizando os recursos naturais indiscriminadamente, sem respeitar a renovação natural. E assim vai vivendo esse homem, creditando ao seu Criador todas as mazelas que sofre, sem ter a dignidade de reconhecer que ele mesmo é o responsável pela maior parte delas.