08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Fascismo e cinismo

Márcio M. Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

A carta do leitor de viés petista Henrique Matthiesen, nesta coluna, questionou com muita propriedade as reações exageradas e radicais e até mesmo fascistas que ocorreram contra Jô Soares e também contra a atriz Marieta Severo, em relação ao posicionamento deles a favor do atual governo. Estas reações extrapolaram a simples crítica, partindo para ameaças e xingamentos, e devem, sim, ser condenadas.


O leitor equivocadamente questiona também a Globo e a Folha de SP como “participantes” deste complô e até mesmo o apresentador Fausto Silva, que teria sido, segundo o leitor, “covarde” e “manipulador” ao entrevistar a atriz Marieta. Com isto não concordamos, até porque a liberdade de imprensa é que evita o fascismo e não o contrário.  


Em nenhum momento o leitor Henrique atenta para o fato de que a Globo é a rede que transmitiu a entrevista de Jô ou que a Folha é um jornal plural e em seus editoriais condenou veementemente a atitude (pichação) contra Jô. Ainda que Fausto Silva tenha também o direito de se expressar, principalmente em consonância com a imensa maioria da população, enojada com os desmandos e a corrupção.


Além disto, é democrático e salutar que pessoas públicas como Jô e Marieta sejam questionadas e isto se chama democracia. Que Faustão se manifeste e ainda que a imprensa livremente manifeste sua opinião a favor ou contra, inclusive questionando e investigando valores liberados pelo Ministério da Cultura (lei Roanet) para os artistas e os elogios que ocorreram em contrapartida.


Ainda novamente de forma equivocada, o leitor iguala as pessoas que defendem a intervenção militar, um pequeno grupo nestes 91% com o PSDB, que por outro lado faz uma oposição chocha, sem ir as ruas e criticada por ser muito moderada. Neste caso é só imaginar o que estaria fazendo o PT se fosse o contrário.


Deve-se, sim, condenar o exageros, violência etc, mas isto foi originado quando o Bramma (Lula) convocou o exército de Stábile (MST) para a luta e dividiu o Brasil entre eles (9% de aprovação de Dilma) e nós, o restante da população, que pagamos a conta das trapalhadas e da corrupção e de quebra temos que aturar o cinismo de um decadente Jô levantando ridiculamente a bola pra presidenta mais impopular da história democrática brasileira.